sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"O PASSADO,POR VERA PINHEIRO"




O PASSADO

 Por Vera Pinheiro

Passado é passado, já passou, portanto. Ele, o passado, pode receber umas visitinhas breves de nossas emoções para lembranças e aprendizados, mas não devemos fixar residência nele, pois, como apontam nossos pés, é para frente que se anda. Cultivar mágoas, ressentimentos, ódios, amarguras não faz parte de espíritos elevados, que buscam a luz divina para ascender a um patamar superior de sua caminhada. Devemos, isso sim, fazer um esforço por perdão e compaixão em relação aos nossos erros, em primeiro lugar, com os erros alheios e com os erros da humanidade toda, orando para que a compreensão e o amor se instalem entre os humanos.
Mas não basta orar, o exercício do perdão e da compaixão exige prática cotidiana, e os benefícios são imensos para todos, principalmente para os que conseguem fazê-lo. É difícil, porém, necessário ao engrandecimento de nossa alma, que é eterna e superior aos conflitos a que damos tanta importância, sendo tão menores do que parecem.
Na dúvida, ouve o teu coração, pois é através dele que os mestres falam. Ouve o que diz o teu Eu Superior, que fala quando silencias os tormentos. Segue teu instinto animal e vê que os animais não são rancorosos como os humanos. Na minha casa, de vez em quando, eles quase se matam, mas estão sempre juntos, são companheiros e lambem as feridas uns dos outros. Segue a tua intuição e não tenhas medo dela, pois o dom de intuir leva, geralmente, a acertar.
Quanto mais exercitamos o instinto, a intuição, o amor, o perdão e a compaixão, menos equívocos nós cometemos. Porém, como andamos por caminhos e em ritmos diferentes, é prudente tomar algum cuidado e perguntar o que queremos saber e o que não sabemos para evitar conclusões apressadas. Nos relacionamentos não é nada seguro substituir pergunta por suposição, porque nos equivocamos por conta da nossa imaginação fértil e por termos expectativas que vão além da realidade.
A família é berço do nosso aprendizado na terra, e não nos juntamos por acaso. A vida teve um propósito para aproximar e reunir pessoas. Viemos ao mundo depois de nossos pais e, segundo as minhas convicções, com as quais ninguém precisa concordar, ainda quando estamos no plano divino escolhemos nossa família, e creio na enorme importância do harmonioso entrelaçamento de vidas entre os que nos cercam.
Não importa o que o outro tenha feito, dá o teu perdão, mesmo que ele(a) não saiba disso. Esforcemo-nos na missão de conciliar e pacificar corações, ensinando amor, perdão e compaixão, que são sentimentos libertadores. Realmente é difícil, mas não impossível aquietar a nossa porção humana e deixar que se expresse o nosso aspecto divino, que nos liberta da opressão causada pelas emoções dolorosas que alguém nos causou. E vê bem, não precisas revidar, devolver, tampouco receber. Deixa passar. Busca compreender quem está em um processo evolutivo mais lento do que o teu, e se Deus Pai e a Grande Mãe são pacientes, por que não tentar sê-lo também? Não tentes consertar as pessoas, faz a tua parte que, em relação ao todo, tem enorme dimensão. Melhorar a nós mesmos é um exercício complexo, mas essencial à elevação de nosso espírito.
Todos nós estamos vinculados, não adianta tentar escapar dessa unidade. Uma boa razão para perdoar é que a vida é muito mais feliz se preenchida de afetos que unem corações para pulsar em uníssono nas mesmas emoções. Alguns acompanham nossa trajetória desde que surgimos no ventre da vida e viram o primeiro riso, a primeira lágrima, os primeiros sonhos da infância. Depois, a adolescência e a juventude permeadas de expectativas, enquanto escrevemos a existência todos os dias. Outras pessoas chegam mais tarde e de mãos dadas seguem conosco na trajetória existencial. Permanecem ao lado, fazendo parceria com nossos sonhos, são solidários e amorosos, vibram com as nossas vitórias e acreditam em nossos sucessos.
Não contabilizemos os que ferem, magoam ou nos abandonam. Lembremo-nos dos que estão em nossa vida e jamais querem partir de nós. Esses trazem alegria ao viver. Porém, aqueles outros nos ensinam a relevar, que é tão importante quanto perdoar e deixar no passado o que já passou e não sofrer mais por isso.
(*) Crônica publicada na edição de 5 e 6 de junho de 2010 do jornal A Razão (www.arazao.com.br) de Santa Maria, RS. 





Bom fim de semana,

com luz, paz, amor, fé e esperança!

Rosane!

7 comentários:

  1. A oração é um otimo exercicio para lehorarmos nós mesmos.
    Belo texto. E profundo.
    com carinho MOnica

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  2. Rô, que fotos lindas dos filhos e netinho. Parabéns pela linda família e vc, elegantérrima. Excelente fds!

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  3. Que maravilha de texto !!! Eu realmente concordo passado foi...aprendizado fica o resto deixa lá né!!
    muito reflexivo !

    bjks
    http://meninacajuina.blogspot.com/
    @Nanazudah

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  4. Querida

    Se não fosse a oração, como seria que nos alimentávamos e sentíamos protecção?
    Gostei muito.
    Ah! não precisava colocar tanto em evidência...as coisas feitas com o coração só ao coração do outro se reconhece.
    Não ando muito bem nesta fase...
    muita coisa vem acontcendo, e sinceramente, sinto-me um pouco cansada, sobretudo desta blogosfera. Tanto assim que resolvi fechar os comentários. Afinal o que interessa é a passagem de algo significativo para que outros se revejam ou se relembrem, ou despertem! - o resto pouco importa, não ser algums pessoas amigas como tu e nada mais.
    Deixo-te o meu beijo e abraço especiais que so o coração sente.

    Sempre..
    Mariz

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  5. Rô, fico muito feliz que tenhas achado a Verinha Pinheiro, ela é maravilhosa, adoro tudo o que ela escreve e hoje, 10/10/10, dia em que realmente inicia a era de aquário, temos que rezar e perdoar a todos, mas, principalmente a nós mesmas.
    Bjim, cosquirídia.

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  6. Feliz dia das crianças para vc !, bjs lambuzados de carinho, Lu

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  7. Estou só passando para desejar um belo dia.
    com carinho MOnica

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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