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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ode à poesia _____________Miguel Torga





Ode à poesia 

_____________Miguel Torga 

Vou de comboio...
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia;
– E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!

Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?

Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!

Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?

Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?

Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?

Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...

Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...

Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...

Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.

Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!



Minha Terra, Meu Chão




Beijos meus cheios de luz, paz, amor, fé e elsperança















segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Avante! do poeta argentino Almafuerte- PEDRO BONIFÁCIO PALACIOS (1854-1917)"





 Avante!

Almafuerte “PEDRO BONIFÁCIO PALACIOS”
 poeta argentino (1854-1917)


Dez vezes te derrubam: te levantas
Outras dez outras cem, outras quinhentas...
Não te hão de ser as quedas tão violentas
Nem tampouco, por lei, hão de ser tantas!

Olha a fome voraz com a qual as plantas
O humo do chão sorvendo  vão sedentas;
Deglutindo rancores e tormentas
Fazem-se santos e se fazem santas!

Obsessão quase asnal para ser forte,
Nada mais necessita a criatura.
Em qualquer infeliz se me afigura

Que se nasce afinal a leda sorte...
Os incuráveis todos acham cura
Cinco segundos antes de sua morte!






 O mesmo poeta argentino Almafuerte (1854-1917) disse a seguinte frase:

 "Para os fracos, a dificuldade é uma porta fechada.
Para os fortes, no entanto, é uma porta esperando para ser aberta"

As portas se abrem para os que não têm medo de enfrentar a vida. Para os que caem, mas se levantam com o brilho da vitória nos olhos. O seu destino é vencer! O seu destino é ser feliz! Deixe a paz dominar seus sonhos, e mesmo nas adversidades, encontre motivos para "sorrir". Seja você o brilho do seu dia!!!

”Tudo é determinado pela nossa atitude, pela nossa decisão.
O que mais importa é o nosso sentimento"
Daisaku Ikeda

fonte aqui


 Beijos meus,
cheios de luz, paz, amor, fé e esperança!
Rosane!





sábado, 30 de abril de 2011

"Há um segredo escondido..."




Há um segredo escondido...
Luisa Luisi – poetisa Uruguaia

Há um segredo escondido
No profundo das coisas...
Onde está o segredo de rua graça,
Flor perfumada do jardim do sol?
Onde  está o segredo de tua força,
Onde está o segredo de tua calma,
Boi agradável de pupilas mansas.
Que despendem reflexos de infinito
No teu olhar sereno?

Onde está o segredo luminoso
Que faz vibrar as asas
E espalha em notas cálidas e alegres
A palpitante música do espírito?

Alma imensa, Natura!... Multiforme,
Multiforme e sagrada,
Que os ramos harmoniosos estremece
Com a inquietude sutil do pensamento
Universal e ignoto; agitados.
Ramos doridos da floresta imensa;
Que renovam sua queixa
Na calada hora de melancolia!

Dá-me o segredo do teu ser , Natura;
Dá-me o segredo de tua vida simples,
Luminosa e ridente;
Sem estes bruscos saltos de energia;
Sem estas tristes pausas;
Dá-me o segredo de tuas ervas murchas
Que em perdurar se afanam:
A harmonia suprema de tuas noites
E o doce de tua graça.

Há em tudo um segredo misterioso
Que é fortaleza e calma;
Alma Natura onde é que está o segredo
Que a esperança me dê à harmonia?

Alma Natura, que eu também sou uma
Criatura tua; débil e cansada:
Dá-me o segredo de tua paz suprema
E funde-me a inquietude em te olhar!



Fim de semana cheio de...
luz, paz, amor, fé e esperança!
Rosane!


quarta-feira, 27 de abril de 2011

"SE " de Rudyard Kipling

Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.


Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.


Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.


Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.


Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.


De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!


Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.


Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Beijos meus,de luz, paz, amor, fé e esperança!Rosane!


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Voar...

imagem aqui



Voar

Frei Leonardo Boff




Passamos uma vida presos...

Qual pássaros em suas gaiolas!

Medo de amar!

Medo de olhar a vida de frente!

E naquele pequeno espaço,

cantamos nossas dores e sonhos!

Muitas vezes se abrem as portas de nossas gaiolas

Mas permanecemos ali acostumados...

Encolhidos...

Nas nossas vontades e sonhos!

Não tenhamos dúvidas!

À primeira oportunidade

devemos alçar o vôo dos falcões!

Calmo

Confiante

Determinado

Amar sem medo!

Brincar um pouco com a vida!

Não ter medo dos rochedos!

E sobre eles estender nossas asas

corajosas de falcões!

E sair em busca de nossos sonhos!

Como o Condor...

Tentar enxergar as pequeninas coisas à nossa volta

e saber apreciá-las!

Dando um sentido novo à nossa vida!

Não sermos como pássaros de gaiolas,

mas, Falcões e Condores do céu!

A cada dia existe uma renovação constante

E nunca um dia será como o outro...

Não há dores eternas!

Não há lágrimas eternas!

Não há perdas eternas!

Há sorrisos esperando-nos...

Dias de sol,

o abraço dos amigos, dos filhos.

E tantos sonhos lindos!

Um amor nos espera para voar... voar... voar...

Porque a vida é um recomeçar diário

De um vôo!

E gaiolas não foram feitas para pássaros!

Tampouco para Falcões!





Bom e maravilhoso dia para você!
Rosane!


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

- ESCREVO O QUE NÃO SOU -

ESCREVO O QUE NÃO SOU


**Rubem Alves


Há uma pergunta que, quando feita a um poeta ou escritor, dói mais que picada de escorpião. A mim, pessoalmente, nunca fizeram. Mas fizeram a amigos meus. !Ele é do jeito mesmo como ele escreve?” É uma pergunta nascida do amor: acharam bonitas as coisas que escrevi e agora estão curiosos para saber se me pareço com o que escrevo. Como disse, nunca me fizeram a pergunta, diretamente. Mas eu respondo. “Não, eu não sou igual ao que escrevo”. Sou um fingidor.

Quem disse isso, que o poeta é um fingidor, foi Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fingir é palavra feia. Sugere uma mentira, com o intuito de enganar. No mundo de Fernando Pessoa ela tem um outro sentido. Fingimento é aquilo que faz o ator no teatro: para representar ele tem de “fingir” sentimentos que não são dele. E finge tão completamente que sente, realmente, uma dor que não é dele, mas de um personagem fictício, ausente. Assim é o poeta. Como pessoa comum, ele sofre. Essa pessoa sofredora não sabe escrever poemas. Ela só sabe sofrer. Mas nessa pessoa que sofre mora um outro, o poeta, o duplo, heterônimo. Esse poeta olha para si mesmo, sofredor, e “finge”: deixa-se possuir por aquela dor que é dele como se fosse de um outro: “chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”.

Sou um fingidor. O que escrevo é melhor que eu. Finjo ser um outro. O texto é mais bonito que o escritor. Fernando Pessoa se espantava com isso. Ele tinha clara consciência de que ele era muito pequeno quando comparado com a sua obra. Num dos seus poemas ele diz o seguinte:

Depois de escrever, leio... Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...

Vinha-lhe então a suspeita de que aquilo que ele escrevia não era obra dele, mas de um outro:

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?

Contaram-me que ele, Fernando Pessoa, certa vez, aceitou encontrar-se com Cecília Meireles, e marcaram lugar, data e hora para o dito encontro. Cecília compareceu e esperou. Pessoa não foi e mandou, no seu lugar, um menino com uma desculpa esfarrapada. Esse incidente sempre me intrigou. Será que Pessoa era um grosseiro indelicado? Depois, lendo o Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, encontrei uma curta afirmação que esclareceu tudo: “Nunca pude admirar um poeta que me foi possível ver.” Ao marcar o encontro com Cecília, movido pela delicadeza ou entusiasmo, ele se esqueceu disso. Foi só na hora que lembrou. Cecília amava os seus poemas. Na ausência, certamente, fizera aquilo que todos fazem: imaginou que o poeta se parecia com os seus poemas. Agora, em algum hotel de Lisboa, ela se preparava para se encontrar com a beleza dos poemas na sua forma viva, verbo feito carne. A decepção seria muito grande. “Nunca pude admirar um poeta que me foi possível ver” Assim, para poupar Cecília da decepção, ele preferiu não aparecer.

Àqueles que fazem essa pergunta a meu respeito, que imaginam que eu possa ser parecido com o que escrevo, aconselho: “Não compareçam ao encontro. Fiquem com o texto.”

Não é mentira, não é falsidade: a poesia é sempre assim. A poesia não é uma expressão do ser do poeta. A poesia é uma expressão do não-ser do poeta. O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta. Escrevo porque tenho sede e não tenho água. Sou pote. A poesia é água. O pote é um pedaço de não-ser cercado de argila por todos os lados, menos um. O pote é útil porque ele é um vazio que se pode carregar. Nesse vazio que não mata a sede de ninguém pode-se colher, na fonte, a água que mata a sede. Poeta é pote. Poesia é água. Pote não se parece com água. Poeta não se parece com poesia. O pote contém a água. No corpo do poeta estão as nascentes da poesia.

Escher, o desenhista mágico holandês, tem um desenho chamado Poça de Lama: numa estrada encharcada pela chuva um caminhão deixou as marcas dos seu pneus, onde a água barrenta se empossou. Coisas feia e sujas, as marcas dos pneus de um caminhão, cheias de água barrenta: nenhum turista seria tolo de fotografar uma delas, quando há tantas coisas coloridas para serem fotografadas. Pois Escher desenhou uma delas. E o que ele viu é motivo de espanto: na superfície de lama suja, refletidas, as copas dos pinheiros contra o céu azul.

Pensei que a poesia é isso: poça de lama onde se reflete algo que ela mesma não contém. A copa dos pinheiros contra o céu azul não está dentro da lama, não é parte do ser da lama. Apenas reflexo: mora no seu não-ser.

Pensei que assim é o poeta: poça de lama onde o céu se reflete.

Nietzsche, escrevendo sobre a poesia de Ésquilo, diz que ela “é apenas uma imagem luminosa de nuvens e céu refletida no lago negro da tristeza”. E Fernando Pessoa, no poema daquele verso que todo mundo canta – Valeu a pena? Tudo vale a pena/ Se a alma não é pequena -, diz o seguinte: Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu. É nessa contradição: o céu se fazendo visível, refletido, na poça de lama, no lago negro da tristeza, no perigo e no abismo do mar.

Não. Não escrevo o que sou. Escrevo o que não sou. Sou pedra. Escrevo pássaro. Sou tristeza. Escrevo alegria. A poesia é sempre o reverso das coisas. Não se trata de mentira. É que nós somos corpos dilacerados – “Oh! Pedaço arrancado de mim!” O corpo é o lugar onde moram as coisas amadas que nos foram tomadas, presença de ausências, daí a saudade, que é quando o corpo não está onde está... O poeta escreve para invocar essa coisa ausente. Toda poesia é um ato de feitiçaria cujo objetivo é tornar presente e real aquilo que está ausente e não tem realidade.

Enquanto pensava sobre essa crônica ouvi, por acaso, aquela balada que diz: “ like a bridge over troubled waters” – “como uma ponte sobre águas revoltas...” Letra e música sempre me comoveram. Na liturgia do casamento do meu filho Sérgio com a Carla, liturgia que preparei, pedi ao Décio cirurgião pianista que tocasse essa canção: pois isso é o máximo que alguém pode ser para a pessoa amada: ponte sobre águas revoltas. Pensei, então, que eu sou “águas revoltas” (onde eu mesmo quase me afogo). O que escrevo é uma ponte de palavras que tento construir para atravessar o rio.

Assim, considero respondida a pergunta: não sou igual ao que escrevo. Guardem o conselho de Fernando Pessoa. É mais seguro não comparecer ao encontro.









Ler é desejar a obra, é pretender ser a obra, escreveu Roland Barthes (1915-1980)


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Beijos e beijos!

Rosane!


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sofremos por quê???

imagem aqui


Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

Carlos Drumond de Andrade



Bom e maravilhoso dia a você que por aqui passa!
Rosane!


quarta-feira, 22 de julho de 2009

- Profano, Místico, Cósmico -


  • Escrevendo, se concretiza melhor.
  • As palavras passam os escritos permanecem
  • Santo Inácio

Profano, Místico, Cósmico

Quando rememoro os estágios da minha evolução,
Quedo-me, horrorizado, em face dos abismos
Em torno dos quais peregrinei ...
Quando eu era profano,
Totalmente profano,
Ou não te via de modo algum,
Ou te via como múltiplo,
Porque só enxergava o teu mundo.
E como podia deixar de ser ateísta, ou politeísta,
Que não te via ou só te via em teus efeitos?
Quando me tornei místico,
Comecei a perceber-te como o Uno e único,
Longe do pluralismo dos teus mundos,
Que me pareciam teu inimigo e negador.
Também, que semelhança haveria entre a unidade e a pluralidade?...
Mas ... a minha profanidade de anteontem
E a minha mística de ontem
Culminaram na visão cósmica de hoje.
E nessa epifania incolor e onicolor
Da minha experiência cósmica
Eu te contemplo como Brahman e Maya,
Como Nirvana e Sansara,
Como Causa e Efeito,
Como o Transcendente e o Imanente,
Como o Deus do mundo e o Mundo de Deus ...


Mas, o que hoje sei de ti,
Ao fulgor da Luz Universal,
Nunca o poderei dizer a ninguém.
Verbalmente ou mentalmente...
O que de ti sei,
Em silenciosa experiência,
Nunca o poderei dizer à minha mente,
Nem a meus ouvidos,
Nem à mente e aos ouvidos de outros...
Só o sei no silencioso anonimato
Da minha sagrada experiência...
Pequeno e profano é tudo que é dizível
E pensável -
Grande e sagrado é somente o que é indizível
E impensável...
Os "ditos indizíveis" vividos
No "terceiro céu" da experiência divina...
Tu, meu Deus, és a Luz Impolar
Em todas as luzes pluripolares,
Tu és o fecundo Silêncio
Em todos os ruídos estéreis,
Nos sons articulados dos homens
E nos sons inarticulados da natureza...
Quando, por momentos, o meu humano conhecer
Atinge o teu divino Ser,
Roçando com levíssimas asas de andorinha
As fímbrias do Infinito -
Então eu vislumbro o que tu és, ó anônima e silente Divindade!
Mas este meu saber jaz amortalhado
Em impenetrável mistério
Para meu ego consciente e vígil.
Porque esse saber da alma é o não-saber do Intelecto
E dos sentidos ...
Somente o meu silente Eu sabe o que tu és.
O meu ruidoso ego te ignora ...
Na imensa catedral do meu saber anônimo
Eu celebro a minha liturgia cósmica,
Adorando...
Amando...
Saboreando...
A vida Universal...

Huberto Rohden

Do livro: A Voz do Silêncio - Ed. Martin Claret




Beijos de bom e maravilhoso dia!

Rosane!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

- Tempestades Benéficas -

TEMPESTADES BENÉFICAS

- Huberto Rohden -

Antes...
Era tão pesada a atmosfera que mal se podia respirar...
Fatigava-me o menor dos trabalhos - cansava-me o mais ligeiro esforço....
Conglobou-se então no firmamento, sinistro bulcão...
Fuzilaram coriscos, ribombaram trovões, uivaram vendavais...
Redemoinharam no espaço incinerado cadáveres de folhas dispersas...
Torrentes desceram em fios de cristal das nuvens noturnas...
Fragoroso dilúvio ameaçava afogar o planeta...

Depois...
Serenaram os espaços revoltos...
Morreram as serpentes de fogo...
Cessaram as águas, calaram-se os ventos...
Ah! quão leve e refrigerante é o ar!
Dilatam-se os pulmões, sorvendo o ozônio do espaço...
Suave carícia para os nervos e a pele, esse ambiente juvenil...
Vigoroso alimento para o sangue o oxigênio a flux...

Não estranhes, minh´alma, se tempestades cruéis te rasgarem a vida!
Se raios e trovões te acordarem de indolente tepidez!
Se veementes terremotos te abalarem o ser!
Se subitâneo vendaval arrebatar folhas secas de tua vida...
É necessário que se renove a atmosfera do espírito,
Que novas idéias fuzilem pelo espaço do teu universo...
Que forças cósmicas sacudam, de vez em quando, teu íntimo ser...
Que torrentes celestes te lavem da poeira da estrada...
Que elementos de mundos ignotos vitalizem o ar depauperado...
Que energias do além ozonizem o espaço asfixiante.
Sê fiel a ti mesma, minh´alma - e tempestade alguma te roubará o que é teu!
A adversidade será tua grande amiga e aliada - em demanda às alturas.
Só compreende a vida quem a vida viveu...
Só viveu a vida quem a vida sofreu...
Só é teu, minha´alma, o que, vivendo e sofrendo, compreendeste...

Não é teu o que viste e ouviste...
Não é teu o que pensaste e estudaste...
Não é teu o que decoraste e sabes repetir.

Só é teu o que submergiu nas profundezas do teu ser...
O que vibra nas pulsações do teu coração...

O que rejubila nas alegrias do teu espírito...
O que soluça nas tristezas de tua alma...
O que geme nas agonias da incompreensão...

Teu, intimamente teu, é somente aquilo que feroz tempestade provou - e não te roubou...

(Esse excelente texto foi extraído do livro "De Alma Para Alma"; Huberto Rohden; Editora Martin Claret.)

fonte aqui


Um bom e maravilhoso dia a todos(as).

Rosane!

Fiquem na Paz do Senhor!



quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"O HOJE DE DEUS"



«O Hoje de Deus»
Do livro de Dom Elias Zoghby « Alegrias e Provas da Vida do Cristão»


«O Ancião dos Dias»
não tem mais que um dia, aquele onde ele está
«Eu Sou, Ele diz, Aquele que É»
Com efeito, o Eterno vive
o presente plenamente,
infinitamente,
e esse presente, do fato que é
infinitamente vivido,
ocupa todo espaço
e não pode deixar aquele
às partículas do tempo.


Ainda, não há
para o Eterno
nem passado, nem porvir.
Não podemos dizer
que ele foi, ou que será.


O tempo de Deus é o hoje,
o instante presente,
o único onde ele é,
o único onde ele age,
sem se referir ao ontem ou amanhã.


O Eterno
não pode então se deter
no meu amor do ano passado,
ou naquele do amanhã esperado,
muito menos não se detém,
neste momento onde eu o amo,
ao meu passado e seus pecados.


Se temos tendência
para dividir nossa existência
entre o passado e o porvir
é sobretudo em detrimento
do tempo presente que vivemos,
em geral, muito pouco e mal,
perdendo-o nas lembranças e vãos arrependimentos
do passado e nos sonhos freqüentemente
enganadores do porvir,
e no choro,
o mais injustificado,
de infortúnios imaginários.
É o que fez dizer a um pensador,
cujo nome eu me esqueci:
«Ó desgraças,
ó desgraças, jamais chegadas,
o quanto me fizeram sofrer!»


Deus não nos ameaça,
pois a ameaça se refere
ao porvir,
nem guarde rancor de nós
pois este se refere ao passado.


Deus me vê e me julga
tal como sou neste momento,
o único em que está,
o único em que age.


Sou eu convertido a ele,
fiz eu hoje
um ato de amor sincero,
rejeitando o que o desagrada,
e procurando agradá-lo,
eu sou um homem novo,
eu sou "mas branco que a neve"
e «filho do Altíssimo.»


E em tudo gerando seu Filho
o Pai me ama
com o mesmo amor com o qual ele o ama,
e me faz renascer
«à Vida, ao Movimento e ao Ser.»


Assim pode o Pai me dizer,
a mim mesmo,
com todas reservas feitas,
«Tu és meu filho, eu hoje te gerei.»


E o hoje, o instante presente,
único tempo de Deus,
é igualmente meu tempo,
o único do qual disponho,
o passado não sendo mais,
o porvir não ainda.


Aos olhos de Deus, eu mesmo,
«Sou Aquele que Sou»
não mais quem fui
nem quem serei,
uma vez que ele me vê
tal como sou no presente,
o único tempo onde ele é,
onde ele age,
sem referência ao ontem,
nem ao amanhã.


Deus, de fato, não vê em mim
mais que o amor com que eu o amo,
ou a Deus não agrada o amor perdido,
o filho pródigo
a recuperar.


Minhas irmãs, meus irmãos,
não nos deixemos invadir
pelos arrependimentos do passado
os mais freqüentemente deprimentes,
e pelos sonhos do porvir,
os mais freqüentemente estéreis.


O hoje de Deus
é igualmente o nosso.

Amemos, amemos,
carreguemos de amor o instante presente.


Não tendo passado,
eu o digo e o repito
Deus não tem memória
para reter nossas faltas,
não tem o que o faça.


Ele não guarda rancor,
muito menos ameaça.


Se amamos hoje,
digamo-no a ele simplesmente
com um coração de criança,
neste instante,
no qual vivemos,
o único tempo
onde Deus é, onde age,
onde ele nos vê e nos escuta.


Nunca é tarde,
jamais muito tarde para amar.

Fonte aqui
Bom dia a todos(as)!
Rosane!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dá-me Senhor Poesia...



-me, Senhor, poesia...


Cedinho, indo para o trabalho, paro num sinal e descubro que a mesma chuva que nos últimos dias fez tantos estragos, hoje colocou um arco íris bem no meu caminho.

A máquina fotográfica permite o registro da imagem já gravada em minha emoção.

Durante os segundos do sinal fechado contemplo, admirado, aquela cena marcada pela banalidade das pessoas que passam na faixa, à minha frente, sem se darem conta daquele espetáculo.

Minto; uma mulher pára, olha e sorri. Depois, segue em frente.

Eu também. No verde, instintivamente, faço o sinal da cruz, como algumas pessoas fazem quando passam diante de uma igreja.

Não vejo uma igreja por perto, mas há Deus por toda parte. Na verdade, há a poesia de Deus por toda parte. O que nos cabe é aguçar os sentidos e captá-la, senti-la pulsando em nós e à nossa volta.

Qualquer ser humano, por mais simples que seja, e às vezes, até por ser o mais simples, tem a capacidade de fazer essa leitura poética do cotidiano. A diferença está naqueles que, além da percepção, são capazes da expressão. Uma coisa é sentir, outra é dizer o que se sente, e outra ainda mais rara, é fazer o dizer acontecer no espaço da beleza, da sensibilidade, no espaço da poesia. E não me refiro apenas à poesia convencional, feita de versos métrica e rima. A poesia é uma linguagem multifacetada que se expressa, sem pudor ou censura, de muitas formas. E como precisamos dela!

Há tanta poesia num verso de Pessoa quanto num quadro de Dali ou no olhar e no sorriso daquela mulher anônima. Há tanta beleza poética num traço ousado de Picasso quanto numa frase de Quintana.

A poesia transborda de uma cena de Kurosawa, de uma canção de Toquinho e Vinícius ou de uma escultura de Rodin.

Louvo a Deus que haja esses poetas de plantão para nos dizer da poesia presente, insistente, resistente, num mundo tão pragmático, apressado, endurecido e insensível. Louvo a Deus, poeta maior e primeiro, do qual, o mais talentoso artista, é apenas um plagiador bem intencionado.

Como ignorar ou copiar a beleza poética daquele arco íris, entre a parede de concreto do conjunto JK, ou do fascínio delicado, colorido e aveludado das pétalas das flores que amanheciam comigo, ali na Praça Raul Soares.

É, há beleza demais no mundo para que não sejamos, todos, aprendizes de poesia...

Há beleza no mistério das pessoas. Havia beleza naquela mulher que passou por mim, apesar da roupa desencontrada num corpo que me pareceu grosseiro, os cabelos mal cuidados. No entanto, atravessou a rua, à minha frente, viu o arco-íris, sorriu cúmplice, e ficou bela.

Eu segui em frente. Ela também. Em mim ficou sua imagem fugaz. E o mistério permanente.

O que pensou aquela mulher? O que sentiu que a fez sorrir? Estaria apaixonada? Levava no coração apertado a preocupação com um filho e o arco íris lhe foi um alívio? Sonhava com a casa própria? Com um amor impossível? O que lhe disse o arco-íris? O que disseram nossos olhos anônimos naquela fração de segundo em que se cruzaram?

Não sei. E o mais provável é que nunca saberei e, no entanto, havia naquela mulher mistério suficiente para encher o universo. E somos mais de seis bilhões... E quantos fomos e seremos ao longo do tempo, únicos, originais, irrepetíveis...?

Preciso urgentemente de um poeta que me socorra, de uma Adélia Prado, uma Martha Medeiros que me emprestem seu olhar sensível e me cedam as palavras certas para dizer da minha angústia, da minha esperança, do meu amor pelas pessoas, anônimas ou conhecidas, das mulheres e homens feios ou belos, das crianças de rua ou da lua, que cruzam o meu caminho.

Fui menino vadio, adolescente difícil, jovem rebelde. Hoje sou um adulto inundado de sentimentos, em busca de alguma poesia que me salve, que resgate em mim a beleza perdida, o olhar capaz de enxergar, no cotidiano mais banal, na cena mais normal, a presença da ternura poética irresistível. Pois os poetas são os profetas do nosso tempo, de todos os tempos. Duvida? Pois lhe conto duas histórias a modo de explicação.

Um homem saiu de casa e foi ao depósito de material de construção comprar tinta para pintar sua casa. Um resto de estoque estava em oferta. Arrematou o lote. A mulher, quando viu, brigou. “Onde você está com a cabeça, pintar a casa dessa cor...?

”Anos depois, a filha desse homem fez a leitura poética desse fato. E escreveu:“Uma ocasião, meu pai pintou a casa toda de um alaranjado brilhante. Por muito tempo moramos numa casa, como ele mesmo dizia, constantemente amanhecendo...”

A menina da casa amanhecendo hoje é uma senhora que atende pelo nome de Adélia Prado.

Quer mais banalidade poética?

Aquele cara encostado no muro pode estar tramando um assalto, mas também pode estar esperando a moça que trabalha no prédio em frente para pedi-la em casamento...

Quem enxergou o rapaz para além da paranóia e do medo urbanos? Martha Medeiros.

A elas peço a benção. Em troca, ofereço o arco-íris da minha oração da manhã.



Eduardo Machado
24/12/2008
Recebi por e-mail do grupo EE Inaciana


Bom dia a todos(as)!

Rosane!

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