terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Apenas pensamentos


“A águia sabe quando uma tempestade se aproxima. Ela escolhe um lugar mais alto e fica a espera dos ventos. Quando a tempestade chega, ela apruma e define suas asas pra que os ventos por si só a leve acima das tormentas. Enquanto os trovões acontecem, ela se mantém passiva e observadora do que acontece abaixo dela. Ela não foge da tempestade. Ela simplesmente usa desta força para erguê-la ainda mais. Definindo suas asas pelos ventos que começam antes da tempestade. Quando os desencontros e tempestades da vida veem até nós, podemos orientar as asas da nossa mente e do coração aos ventos da existência. As forças superiores são incapazes de nos conduzir aos desconfortos que não possamos superá-los. Orientados pela entrega e confiança, pairamos além das tormentas, pois não são estas que nos desvitalizam e sim a forma como as encaramos.”




 

”Viver uma vida de amor com outra pessoa faz parte da tentativa de decifrar um enigma sem resposta universal. Como dois podem ser um só? O amadurecimento e o tempo respondem! Ou você continua sem resposta nenhuma. Para conhecer essa pergunta você deve deixar de ser romântico para ser humano. Conhecendo os limites humanos conhecerá uma pequena parte da resposta.” Sérgio Veleda.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"COMO VASO NAS MÃOS DO OLEIRO"

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"Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel".
Jeremias18:5-6

O profeta Jeremias vai à casa do oleiro não para levar uma mensagem, mas para receber uma mensagem. Ali, viu o trabalho cotidiano de um oleiro que se entrega à tarefa de moldar vasos. Quando um vaso se estraga em suas mãos, ele não joga o barro fora; antes, molda-o mais uma vez e faz dele um novo vaso. Assim, Deus faz com sua vida. Ele não desiste de você. Ele não abdica do direito que tem de trabalhar em sua vida. Somos muito preciosos para Deus para ele nos descartar como se descarta algo sem valor.
Um vaso é feito para um propósito. Ele sempre tem uma utilidade. Um vaso defeituoso, com rachaduras ou trincamentos, não pode cumprir o propósito para o qual foi criado. O oleiro, pacientemente, tornou a fazer do vaso estragado outro vaso, um vaso novo. Assim Deus faz com você. Antes de usar sua vida, ele trabalha em sua vida. Deus está mais interessado em quem você é do que no que você faz. Caráter é mais importante do que desempenho. Vida precede ministério. Antes de Deus trabalhar através de você, ele trabalha em você.
A obra de Deus em nós não é uma reforma da estrutura do velho homem. Deus modela o barro e faz dele um novo vaso. Em Cristo somos novas criaturas. As coisas antigas ficaram para trás. Tudo se fez novo. Nascemos de novo, do alto, de cima, do Espírito Santo. Temos um novo nome, uma nova mente, um novo coração, uma nova família, uma nova Pátria.
O oleiro faz um vaso novo conforme lhe apraz. Não é o barro que determina ao oleiro a forma e o propósito para o qual é criado. O oleiro é soberano sobre o barro. O oleiro é livre para fazer do barro o vaso que deseja. O apóstolo Paulo pergunta: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.20). Não é a nossa vontade que deve prevalecer no céu, mas a vontade de Deus que deve ser feita na Terra.
Como oleiro, Deus não faz um vaso de pedra, pois esta resiste a ser moldada. Deus não trabalha com areia, pois esta não tem liga. Deus não lida com lama, pois esta apenas suja as mãos do oleiro. Deus molda o vaso de barro. Este tem liga e se submete à modelagem que o oleiro deseja. Depois, esse vaso é levado ao forno. O fogo não o destrói, mas o torna sólido e útil. Em seguida, o vaso é destinado ao uso para o qual foi feito. Nós fomos criados para o louvor da glória de Deus. Devemos ser vasos preciosos, limpos, úteis. Somos vasos de honra preparados para toda boa obra. Devemos ser vasos cheios do Espírito Santo de Deus. Nós somos vasos que em si mesmos têm pouco valor; porém, somos vasos que transportam um tesouro de valor inestimável. Bendito oleiro, que nos fez do barro e para nos salvar entrou no barro, encarnou-se e habitou entre nós, para fazer de nós vasos de honra, úteis para toda boa obra.
FONTE AQUI


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sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Tudo é novo sempre" por Michael Berg



 
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Tudo é Novo, Sempre

Quando a maioria de nós olha para o mundo, acredita que existem coisas. Existem árvores, existe natureza, nós existimos e nossa família existe. Tudo permanece intacto até que alguma coisa negativa aconteça e mude tudo; tudo tem um prazo de validade.


Uma árvore pode durar centenas de anos. Um ser humano pode durar 80, 90, 100 anos. As coisas existem no nosso mundo até que alguma coisa aconteça que interrompa sua existência.
Mas isso não é verdadeiro.
Os kabalistas ensinam que a razão da nossa existência é o que chamamos Luz do Criador. Essa fonte de energia sustenta tudo nesse mundo. Assim, as coisas não existem por possuírem algumacapacidade inata para isso, mas sim porque essa Luz do Criador está sendo renovadamente infundida em todos os seres e objetos a cada segundo de cada hora de cada dia.
A árvore que perdura por centenas de anos não o faz porque possui uma capacidade inata para isso, mas sim porque a cada minuto específico um fluxo da Luz do Criador desce sobre ela e permite que ela exista.
Não vivemos de um momento para outro porque temos a capacidade inerente para isso, mas sim porque a Luz do Criador entra em nós e nos sustenta de forma constante. Vivemos o segundo seguinte, não porque tenhamos vivido o anterior, mas sim porque a Luz do Criador penetra em nosso corpo, em nossa alma — a cada instante.
É importante entender esse conceito porque, se você não conhecer e viver essa consciência, será muito difícil mudar qualquer coisa.
Usando um exemplo simples: quando você assa um bolo, você junta todos os ingredientes, misturae coloca tudo no forno. Quando o bolo está assado, você pode querer adicionar mais açúcar ou mais sal, ou talvez mais farinha — mas não pode. Quando o bolo está pronto, está pronto.
Se olharmos para nós, para o nosso mundo e para tudo que se encontra ao nosso redor como simples existências — e não como algo que está sendo continuamente criado de forma renovada, repetidas vezes — então, não conseguiremos mudar nada. Uma pessoa não pode mudar simplesmente porque é. Nosso relacionamento com as pessoasnão pode mudarporque elas já existem.

Nós não podemos mudar qualquer aspecto das nossas vidas de verdade se vivermos com a consciência que a maioria de nós possui, que é a de que as coisas simplesmente são.

No entanto, quando somos capazes de mudar a forma como enxergamos o mundo — a forma como enxergamos a natureza, a forma como nos enxergarmos, como enxergamos nossas vidas e aqueles à nossa volta — e sabemos que nada realmente simplesmente existe, mas sim que é constantemente renovado pela Luz do Criador, então, com certeza, tudo pode mudar. Seja uma doença, relacionamentos negativos, algo desagradável sobre nós próprios, podemos mudar a todo instante, porque cada segundo é completamente novo.
Se você for capaz de entender e viver com esta consciência, então terá a capacidade de mudar tudo.
Como chegar a essa consciência? Através da prática.
Pratique observar uma árvore; saiba que ela não existe agora apenas porque existia antes. Entenda que ela está sendo infundida com uma nova Luz neste exato momento.
Olhe para você mesmo e saiba que está vivo agora não porque estava vivo há um minuto, mas porque a cada respiração que dá existe uma nova injeção da Luz do Criador em você.
Olhe para seus filhos e saiba que eles existem porque neste exato segundo estão recebendo uma Luz renovada — e não porque existiam ontem. Comece a treinar sua mente nesta consciência: a criação ocorre renovadamente a cada segundo. Nada existe porque existia antes: tudo no mundo é constantemente infundido com uma nova faísca de energia da Luz do Criador.

Com essa consciência, você será capaz de mudar tudo e qualquer coisa, porque você saberá que o universo é criado de forma renovada repetidas vezes, de forma que tudo é universalmente mutável. Tudo pode ser mudado a cada instante.

Kabbalah Centre Brasil








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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Rosa e a Trindade por "Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju."



A Rosa e a Trindade por "Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju."


“Rosa mística” – eis um dos títulos que a devoção mariana dedicou à Mãe de Deus. Trata-se de um título poético, extremamente simbólico, que somente pode ser compreendido e saboreado poeticamente. Se “rosa” é um apelativo extremamente evocativo do sentimento, da beleza, da ternura cândida, o adjetivo “mística”, derivado de mistério, remete esta Rosa ao mistério do próprio Deus: Rosa Mística significa, então, Rosa misteriosa, Rosa tomada pelo Mistério que é Deus, o Deus uno e trino dos cristãos. Por tudo isso, para relacionar a Rosa Mística com a Trindade Santa, devemos partir da poesia, modo intuitivo e profundo de captar a realidade.
Partamos destes versos suaves e teologicamente precisos de um cântico de Natal:
Duma Flor germinada na terra
fecundada por Sopro de Deus
hoje um novo começo desponta
e se abraçam a terra e os céus.
A Flor é a Virgem Maria. Ao chamá-la assim o poeta coloca-se na tradição mariana que a considera flor, rosa, lírio. É um costume antigo. Baste-nos esta belíssima citação da oração mariana da Igreja síria-ocidental no século VIII:
Tu és a Rosa desejável e pura
e o teu rosto resplandecente não foi despetalado
pelo vento infestado pelo pecado
desde o momento da tua origem
no jardim do Altíssimo e magnífico Soberano.
Aqui aparece claramente o título de Rosa dado a Maria; rosa que não foi descaracterizada pelo pecado original: desde sua origem foi preservada por Deus do vento infestado de pecado. Por quê? A resposta, também poética, encontra-se nos versos de Natal, acima citados: esta Rosa, Flor germinada na terra, foi fecundada pelo Sopro de Deus. Este Sopro, sabemo-lo biblicamente, é o Santo Espírito.
Assim, a estrofe do Natal apresenta a Rosa mística, misteriosa, toda envolta pelo Mistério de Deus: foi, desde o início, “desejável e pura” porque o “Altíssimo e magnífico Soberano” a preservou do vento do pecado e derramou sobre ela o seu Sopro fecundo. Desde o início a Rosa vive deste Sopro, do Espírito, que é água derramada sobre nós, água que bebemos para a vida eterna (cf. 1Cor 12,13; Jo 7,37ss). O Pai desde toda a eternidade pensou em plantar esta Rosa, amou-a, predestinou-a (cf. Ef 1,3-4) e santificou-a pelo Sopro, que é o Espírito; Espírito que arranca o pecado, Espírito que vivifica, Espírito de vida e fecundidade. E para que tudo isso? Porque a Rosa, a Flor deveria das Fruto: “Bendito o Fruto do teu ventre: Jesus!” Isto mesmo: segundo a tradição cristã, a Rosa não tem fim em si mesmo: ela existe, ela é bela, ela é agraciada pelo Sopro de Deus para dar Fruto, Fruto bendito e salvador, o Filho Jesus! Seriam totalmente equivocadas uma mariologia e uma piedade mariana que parassem em Maria mesma, que não a colocassem no conjunto do desígnio salvífico de Deus, que não a relacionassem o nossa Salvação, Cristo Jesus!
Assim, o título de Maria como Rosa mística pode ser trinitariamente pensado do seguinte modo: ela é mística (= misteriosa) porque totalmente envolta no Mistério do Deus uno e trino e a ele totalmente relacionada: Rosa plantada pelo Pai, feita germinar pela potência do seu Sopro, que é o Espírito; preservada do vento danoso do pecado original, regada pela água e o orvalho do Santo Espírito, ela deu o Fruto de Salvação, Fruto por nós esperado, Fruto de vida, diverso e contrário o fruto de morte do Paraíso. Deste modo, o título “Rosa Mística” aparece com toda sua beleza e significado teológico! Aliás, nunca, nunca se deve esquecer: a verdadeira devoção à Toda Santa, deve ser sempre, como na grande Tradição da Igreja, bíblica, teológica e ligada à história salvífica, que tem seu centro em Cristo Jesus, enviado pelo Pai na potência do Santo Espírito.
Podemos concluir com uma pérola do lirismo do Ofício de Laudes da Assunção da Virgem Maria, da Igreja armena:

Ó Flor imarcescível,
ramo sem condenação, brotado da raiz de Jessé,
um dia Isaías te profetizou
como sede da graça septiforme do Espírito:
Mãe de Deus e Virgem,
nós te exaltamos!
Tu és o ramo vivente do Fruto dulcíssimo,
ramo do qual foi tirado para nós o cacho inesgotável,
para alegria dos tristes que se alimentam da árvore da vida!
Ó santa e imaculada, nós todos de exaltamos!



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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mulheres "Cruz e Souza"


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Para Cruz e Souza a Mulher era e para mim é, um ser divino, celestial vindo das estrelas.
Em Missal ele afirma  “Só a psicologia desse ser, que é o artista, saberá ver fundo o delicado ser das mulheres ”

Mulheres
Cruz e souza do livro Missal


Magnólias de aroma lépido, finos astros, que elas sejam, olhos faiscantes, como águas dormentes de delicioso Danúbio que a luz sonoriza e doira, humildes e imperiosas, ninguém jamais saberá o mistério que as envolve…
Amar e gozar as nebulosas mulheres, mergulhar, engolfar a alma infinitamente, inefavelmente, em repouso, como num harmonioso luar, sem sobressaltos e ansiedades, na alma enevoada que elas ocultam sempre, só é dados às naturezas vulgares, que amam com a carne, que amam com o sangue apenas, no ímpeto brutal de todos os instintos, com a luxúria viva da carne, que fazia, desde os romanos, a carne viçosa e rica.
Os que a amam e gozam sensualmente, à lei da sexualidade, não lhes ouvem a vaporosa música embriagante do vinho dos encantos da voz e do sorriso; não lhes sentem o perfume delicado de úmidas bocas purpúreas, de níveos colos cor de camélia, de volumosos seios macios como a alava plumagem fresca de um pássaro real; não lhes percebem o amoroso ansiar de etéreas cintilações d’estrela nos olhos indagadores, que atravessam, costumam passar em visão, pesados de luz, com um brilho aceso e fagulhante de preciosas e raras pedrarias, as geladas noites brumosas do ciúme…
Para esses, que só as possuem sexualmente, elas trazem um deleite, um atrativo, como no Oriente o fumo, que dá prazeres insubstituíveis, voluptuosas graças de viver, atila e acende a imaginação, faz abrir e flamejar, incomparavelmente, de todos os pontos do mundo, os mais inauditos sóis do Espírito…
Esses, ainda outros ou todos, poderão decerto inundar-se no esplendor da beleza das mulheres, fruir delas toda a fremente carícia, possui-las, dominá-las sem hesitação e embaraços estranhos.
Para todos elas não terão sombrias torcicolosidades de serpentes, anseios, anelos indecifráveis, enigmas tremendos, que nos deixam deslumbrados, extáticos, na mais intricada rede de perplexidade.
Elas serão para todos o eterno feminino, leve, simples, fácil a conquista, fácil a vitória, tendo para os homens os arrastamentos prontos de um animal que se abandona à lubricidade.
Ninguém saberá ver nas mulheres esse complicado segredo de nervos, que ora se patenteia claro penetrável e que ora mais se condensa, se intensifica de obscuridade, torturando, afligindo, vago, abstrato como a dor e por isso ainda mais terrível, mais esmagador e frio…
Só um ser, consubstanciado de todas as angústias, de todas as incertezas e dilaceramentos do espírito, um ser contemplativo, amargurado pelas análises, ferido sempre pela observação, pelas idéias que sangram e vivem perpetuamente a martirizá-lo, para seu gosto excêntrico e único, só esse ser as compreenderá, mudo e solene, encerrado na solidão dos seus pensamentos, como um missionário, alheio às exterioridades dos corpos delas, às linhas, ou só as amando por sentimento estético e analisando continuamente, sondando, perscrutando o feminino organismo dúbio.
Só a psicologia desse ser, que é o artista, saberá ver fundo o delicado ser das mulheres e penetrar nas sutilezas, nas direções variadíssimas e múltiplas que toma o seu espírito, à maneira das aves que voam alto, sem rumo, além, indefinidas na distância…
Esse poderá querê-las muito, adorá-las com outra chama sagrada; mas nunca as poderá amar carnalmente, friamente com os nervos – porque aparecerá sempre o analista sufocando o afeto espontâneo que não se delimita nem regulariza, o entendimento artístico, que ama a Forma, destruindo o fator humano que fecunda a carne, que perpetua a Espécie.
Quanto mais elas forem complexas, segredantes, tanto mais a análise se manifestará mais arguta, mais penetrante, de um modo experimental, nu, amplo; e as mulheres, afinal, ficarão diante do artista, como documentos palpitantes de uma dada natureza, provas flagrantes de paixões veementes, de desejos, de vontades, de uma infinidade de atributos e qualidades radicalizadas na alma feminina e que o pensamento do artista investiga, conhece, põe para fora, à toda a luz, como se expusesse, na presença do mundo, explicando a função de cada um, os milhares de glóbulos de sangue que circulam no organismo humano.
A dor de tudo isso, porém, a pungitiva dor de tudo, é que o artista não pode, assim como todos, espontaneamente amar.
Ele ama um golpe de luz, um olhar, a fascinação de uns cabelos quentes, a polpa virgem de uns seios, a graça idealizante e alada de um sorriso, o talho vermelho de uns talhos frescos, o tom das elegâncias fidalgas dessas Flores escarlates das Babéis de ouro, que passam na corrente das civilizações e na febre, no delírio dos luxos fortes.
Vendo para dentro de si, como para o fundo de um mar prodigioso, ele domina com o olhar perscrutante, inquieto, que apanha de pronto as situações, a maravilhosa ductilidade das mulheres, vendo também perfeita e singularmente o que se dá dentro delas, as suas inquietudes, as suas paciências, os seus receios, os seus caprichos inesperados, as suas volubilidades doentes e curiosas, as suas resoluções bruscas, os seus ímpetos de leoa, os seus enternecimentos ingênuos e monocórdios, os seus momentos horríveis de crises hiper-histéricas, sem causa determinada, sem assinalamentos de origem, mas assoberbantes, convulsos e que de repente cessam como vieram, para tornarem ainda, mais desabridos e persistentes.
As mulheres, para o artista, para e estesia exigente, requintada, são apenas um elemento de sugestão estética amoldável às necessidades artísticas do sugestionado. Elas falam, abrem-se mesmo ao amor em rosas fecundas de sinceridade, dizem os ardores apaixonados, as recônditas sensações, a vida íntima dos eu afeto; mas o artista as ouvirá, como artista que é, a frio, simulando interesse, formando já, mentalmente, com as palavras delas, com essa confissão franca, pura e sentida, embora, verdadeiras páginas de emoção e estilo.
E, no entanto, ele as quererá amar muito, eternamente e sem reservas, abrir-lhes os braços ao amor, com todas as forças másculas, vigorosas e livres de homem, com a firmeza mais casta dos carinhos e das ternuras, estremecendo-as, idolatrando-as.
Mas, um ligeiro contato apenas, um leve roçar de lábios, um abraço desfalecido, murcho, algumas frases balbuciadas materialmente, ao acaso – e aí estará de novo o mentalizado, o espiritual, descendo a investigações, medindo cada gesto e cada olhar, inquieto, aflito com a expressão de um toque de luz numa trança de cabelos, que ele quer levar para a sua Obra ou preocupado com o fino Sèvres que fulgurou uma noite em certo boudoir, faiscando centelhas d’astro.
Contudo, quando esse luminoso torturado as vê descendo ou subindo os átrios claros de palácios festivos, altas Walquírias de neve nas pompas orgulhosas das sedas que roçagam, como que fica preso, magnetizado por aqueles aromas fluidos, vivendo na auréola majestosa do clarão que elas de si desprendem; e então, como na cauda constelada e rojante, os fulgores sedosos levam aspirações, sonhos que ficam errantes e que quereriam talvez subir ou descer, opulentamente, como as deusas resplandecentes, os mesmos festivos palácio de átrios claros.
Entretanto, não é aí o amor, o sentimento que se manifesta ainda na alma artística; não é uma expansão afetiva – mas uma verdadeira expressão d’arte, um desejo de posse, que logo invade as naturezas dominadoras, altivas, onde as idéias predominam, atuando, fatais e intensas, nos fenômenos da Vida, os mais elementares ainda.
O que excita o artista, seja nos átrios claros de palácios ou em toda a parte, é simplesmente a Forma, é toda essa roupagem deslumbrante que faz as mulheres parecerem auroras boreais; o que lhe incita a pensar nelas, a desejá-las, é a plástica olímpica, o onipresente esplendor das curvas cinzeladas, os mármores coríntios, o alabastro dos corpos flóreos. . O que o surpreende, deixa atraído e fascinado é o ar gelado da carne alva das loiras, que deliciam, o ardente sol tropical da carne tentadora das morenas, que cheiram a sândalo e matas.
Amar as mulheres, profundamente, com simplicidade, com singeleza, sem cuidados latentes de observá-las a toda hora, com os mínimos detalhes, linha por linha, traço por traço, sem essa preocupação doente que as exigências provocam, não é para a concentração, para a contenção nervosa dos falangiários da Arte, que, de todas as coisas, querem arrancar o germe de que necessitam, o pólen que lhes é mister para a fecundação de sua Obra.
A linguagem feminina, algumas fiorituras das frases passageiras constituem, de certo modo, um tecido primoroso, os fios delicadíssimos com que a Arte contextura, urde a tecelagem da Forma.
Mas o desolado psicologista do Pensamento não as pode amar com intensidade e desprendimento espirituais, sem as querer observar sempre, desataviá-las das plumagens garridas e ver-lhes, à luz , o que elas sentem e pensam de nebuloso…
Por isso é que muito naturalmente, por intuição própria, elas percebem que não poderão jamais amar os artistas, tendo até para eles uma repulsão como que instintiva e sendo mesmo indiferentes às suas solicitações mais veementes e calorosas.
Vendo-se a cada instante o objeto das interpretações deles, reveladas através de seus pensamentos tão recatados como os seus seios, os pudores dos seus corpos angélicos, em tantas páginas dilacerantes e impiedosas, as mulheres não buscam sistematicamente os artistas para amar, feridas nos seus orgulhos melindrosos, nas suas vaidades excessivas e principescas, nas suas finas susceptibilidades de formosos seres triunfantes e inaccessíveis.
Só raramente, por singularidade, uma ou outra mulher ama o artista, quando já acaso existe nela qualquer corrente de simpatia mental, qualquer relação de afinidade que estabeleça entre ambos uma claridade e harmonia de sentimentos mais ou menos congêneres, equilibrados.
- Do Livro Missal, 1893. fonte aqui





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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Decisões...sempre sempre tão difíceis!"

A picture of a crossroads is a reminder to make wise decisions.
imagem aqui


Um ano de muitas decisões em minha vida é difícil separar tantas coisas ao mesmo tempo. Por isso sempre recorro a textos que edificam e me fazem pensar sempre mais!


TOMANDO A DECISÃO CERTA

As oportunidades se multiplicam quando aproveitadas, elas morrem quando negligenciadas.   John Wicker

Q uando diante de uma importante decisão, certamente que vale a pena investir tempo e esforço em tomar a decisão certa. Porém, tão importante quanto tomar a decisão é fazer com que essa decisão seja a decisão acertada. Muitas das decisões na vida não são inerentemente certas ou erradas, valiosas ou destrutivas. O que real e frequentemente importa - e até mesmo mais do que a decisão em si mesma, - é o que você irá fazer com a decisão que você tomou.

Precaução: tenha cuidado em escolher as pessoas nas quais você investe tempo e a sua vida. Tenha um especial cuidado em como você irá realmente viver e trabalhar com as pessoas a fim de tomar a decisão certa. Você já colocou um grande esforço em selecionar onde viver, trabalhar ou ir para uma determinada universidade. Coloque agora um esforço ainda maior em viver, em trabalhar, em aprender a fim de fazer com que a sua decisão seja a mais acertada possível.

A maneira pela qual uma decisão é trabalhada depende principalmente da maneira como você implementa a sua decisão. A decisão em si mesma não é tão importante quanto o tempo, o esforço, o compromisso e a integridade com que você a desempenha. Em vez de tanto se preocupar se você tomou ou não a decisão certa, coloque a sua energia em fazer que a decisão seja certa, seja ela qual for. Essa é a decisão que pode fazer toda a diferença do mundo!

Para Meditação:
Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.  Salmos 32:8




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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

!Procura" Drummond




Drummond  em seu poema 

 “Procura ”

Procurar sem notícia, nos lugares
onde nunca passou;
inquirir, gente não, porém textura,
chamar à fala muros de nascença,
os que não são nem sabem, elementos
de uma composição estrangulada.

Não renunciar, entre possíveis,
feitos de cimento do impossível,
e ao sol-menino opor a antiga busca,
e de tal modo revolver a morte
que ela caia em fragmentos, devolvendo
seus intatos reféns – e aquele volte.

Venha igual a si mesmo, e ao tão-mudado,
que o interroga, insinue
a sigla de um armário cristalino,
além do qual, pascendo beatitudes,
os seres-bois completos se transitem,
ou mugidoramente se abençoem.

Depois, colóquios instantâneos
liguem Amor, Conhecimento,
como fora de espaço e tempo hão de ligar-se,
e breves despedidas
sem lenços e sem mãos
restaurem –para outros– na esplanada
o império do real, que não existe”.






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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"As quatro estações da vida"




As Quatro Estações da Vida - Idade Média: a Estação da Força
Currier & Ives, 1868 

As quatro estações da vida

Você já notou a perfeição que existe na natureza? Uma prova incontestável da harmonia que rege a Criação. Como num poema cósmico, Deus rima a vida humana com o ritmo dos mundos.
Ao nascermos, é a primavera que eclode em seus perfumes e cores. Tudo é festa. A pele é viçosa. Cabelos e olhos brilham, o sorriso é fácil. Tudo traduz esperança e alegria.
Delicada primavera, como as crianças que encantam os nossos olhos com sua graça. Nessa época, tudo parece sorrir. Nenhuma preocupação perturba a alma.
A juventude corresponde ao auge do verão. Estação de calor e beleza, abençoada pelas chuvas ocasionais. O sol aquece as almas, renovam-se as promessas.
Os jovens acreditam que podem todas as coisas, que farão revoluções no mundo, que corrigirão todos os erros.
Trazem a alma aquecida pelo entusiasmo. São impetuosos, vibrantes. Seus impulsos fortes também podem ser passageiros... como as tempestades de verão.
Mas a vida corre célere. E um dia - que surpresa - a força do verão já se foi.
Uma olhada ao espelho nos mostra rugas, os cabelos que começam a embranquecer, mas também aponta a mente trabalhada pela maturidade, a conquista de uma visão mais completa sobre a existência. É a chegada do outono.
Nessa estação, a palavra é plenitude. Outono remete a uma época de reflexão e de profunda beleza. Suas paisagens inspiradoras - de folhas douradas e céus de cores incríveis - traduzem bem esse momento de nossa vida.
No outono da existência já não há a ingenuidade infantil ou o ímpeto incontido da juventude, mas há sabedoria acumulada, experiência e muita disposição para viver cada momento, aproveitando cada segundo.
Enfim, um dia chega o inverno. A mais inquietante das estações. Muitos temem o inverno, como temem a velhice. É que esquecem a beleza misteriosa das paisagens cobertas de neve.
Época de recolhimento? Em parte. O inverno é também a época do compartilhamento de experiências.
Quem disse que a velhice é triste? Ela pode ser calorosa e feliz, como uma noite de inverno diante da lareira, na companhia dos seres amados.
Velhice também pode ser chocolate quente, sorrisos gentis, leitura sossegada, generosidade com filhos e netos. Basta que não se deixe que o frio enregele a alma.
Felizes seremos nós se aproveitarmos a beleza de cada estação. Da primavera levarmos pela vida inteira a espontaneidade e a alegria.
Do verão, a leveza e a força de vontade. Do outono, a reflexão. Do inverno, a experiência que se compartilha com os seres amados.
A mensagem das estações em nossa vida vai além. Quando pensar com tristeza na velhice, afaste de imediato essa ideia.
Lembre-se que após o inverno surge novamente a primavera. E tudo recomeça.
Nós também recomeçaremos. Nossa trajetória não se resume ao fim do inverno. Há outras vidas, com novas estações. E todas iniciam pela primavera da idade.
Após a morte, ressurgiremos em outros planos da vida. E seremos plenos, seremos belos. Basta para isso amar. Amar muito.
Amar as pessoas, as flores, os bichos, os mundos que giram serenos. Amar, enfim, a Criação Divina. Amar tanto que a vida se transforme numa eterna primavera.
recebi por e-mail

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