segunda-feira, 16 de julho de 2012

O nome de Deus




O Nome de Deus

Crônica - Lídia Dickfeldt
Lídia Dickfeldt é meditante dos inícios do Grupo de Meditação que se reúne todas as quartas-feiras às 15h00 na Paróquia do Colégio São Luís, na Av. Paulista, 2378.

A Oração “Pai Nosso” começa com a palavra “Pai”. Não lhe dá nome, diz apenas “Pai Nosso”. Não lhe dá nome porque, em verdade, nenhum nome lhe convém.

Os nomes existem para designar coisas. Cada nome procura destacar o ser por ele designado de todos os demais seres. Ora, acontece que este Pai ao qual a oração se refere é um Ser que está inteiro em todos os seres. É o Todo-em-Tudo. E claro que a nossa capacidade racional é totalmente incapaz de compreender que o Todo possa estar em todos os seres, até mesmo na partícula de cada átomo, assim como no brilho de cada estrela e no zumbido de cada inseto e no ruflar da brisa na ramagem das árvores, como também em cada alento de nossa respiração e no pulsar de nosso sangue, e em cada sonho que somos capazes de sonhar e em cada impulso nosso, desde os mais brutais até os mais sutis e elevados. Por outro lado, também somos completamente incapazes de admitir que este Ser-Todo-Um possa se repartir e se pulverizar para que alguma mínima parcela dEle habite em cada coisa criada. De fato, é o Todo-em-Tudo. É a total transcendência e ao mesmo tempo, a total imanência.

Assim sendo, como querer destacá-lo dos demais seres, atribuindo-lhe um nome? Além disso, cada nome designa um ser definindo-o. Definir é pôr fins, pôr limites, demonstrando o que ele é separando-o do que ele não é. Ora, este Pai é um ser sem fim e sem limites. Portanto, é impossível defini-lo dando-lhe um nome; é impossível também limitá-lo ou delimitá-lo. Ele é Uno diante do qual todas as palavras recuam. O “GRANDE NOME”, para nós mortais, é sem nome. Acontece que no instante em que conhecêssemos o seu Nome, cairíamos mortos, porque a nossa inteligência é finita e nela não cabe o infinito e muito menos o Eterno.

Jesus, nas quase centenas de vezes a que se refere a Deus (nos Evangelhos), o chamou de PAI.

No segundo livro do Pentateuco, o Êxodo, lê-se a narrativa do episódio no qual o Senhor apresenta-se a Moisés no alto da montanha do Horeb, e, respondendo à pergunta que Moisés lhe fez sobre qual era o seu nome, disse: “Eu Sou aquele que sou” (“ehyeh aser ahyeh”). Ora, dessa proposição, e particularmente da palavra “ehyeh”, a qual repetida duas vezes na primeira pessoa do presente do indicativo do verbo “howahm hayah” significa “eu sou”, elaborou-se o Tetagrama Sagrado: YHVH, que são Yod, He, Vav, He – Jeve. Pelo fato de o alfabeto Hebraico não ter vogais, a pronúncia correta dessa palavra pôde ser mantida em absoluto segredo. Essa pronúncia só era conhecida pelo Sumo Sacerdote e pronunciada em voz muito baixa, em murmúrio, uma só vez ao ano, durante as cerimônias religiosas do Yom Quipur, no momento culminante do ritual.

Nós, seres humanos, somos criaturas suas e, portanto, somos seus filhos. Por essa razão, a oração começa como apelo do PAI NOSSO. A palavra “nosso” faz com que nos coloquemos lado a lado de tudo que emergiu desse Pai, lado a lado, isto é, como irmãos, pois que filhos do mesmo pai são irmãos, entre si. E irmãos de fato o somos, não apenas de cada um dos seres humanos. Francisco de Assis costumava chamar as coisas de irmãos: irmão asno, irmão peixe, irmã pedra, irmão vento, irmão Sol. Certamente ele o fazia, não para se tornar interessante aos olhos dos outros, mas simplesmente porque de fato ele se sentia, fervorosamente, que era irmão de cada uma de todas as coisas.

Repetir e ficar repetindo as duas primeiras palavras da oração “PAI NOSSO” talvez ajude a criar nas profundezas de nosso inconsciente as condições favoráveis para que se desperte cada vez mais em nós a vivência da fraternidade, e, por conseqüência, o amor pelas coisas. É possível que, por acréscimo, sejamos invadidos por uma sabedoria bem além do pensável, por um lampejo da grande sabedoria silenciosa, daquela que foi criada “antes dos primeiros elementos da poeira do mundo.”

No século XIV depois de Cristo, ECKHART dizia: “porque tagarelar tanto a respeito de Deus? Se nem o seu Nome podemos conhecer, tudo que dEle se disser é falso. De tudo que somos capazes de pensar de mais alto, de uma coisa podemos ter certeza: isso não é Ele. Da mesma forma tudo que podemos imaginar de mais sublime, de uma coisa podemos ter certeza: isso não é Ele. Portanto, de fato, nenhum nome lhe convém. Por não ser possível lhe atribuir nenhum nome, a oração ‘PAI NOSSO’ começa com a palavra ‘PAI’.”

“Deus é o referencial eterno do homem. Somente nEle, através de Jesus Cristo, o homem encontrará uma segurança, uma esperança.”

“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” (Jo 7,38)





Beijos meus cheios de luz, paz, amor, fé e esperança!  







Um comentário:

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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