quarta-feira, 10 de março de 2010

" - AMANHECI ASSIM TRISTE, MUITO TRISTE...!!! - "



Hoje acordei muitoooooo triste e quero pedir licença para vocês me lerem um pouquinho. Estou  sentindo falta de tanta coisa. Uma delas é poder estar mais em contato com meu netinho Mateus. Mas esses tempos modernos que  todos correm atrás da vida, meu filho não tempo para ficar mais tempo aqui em casa. Quando eles vêem nos finais de semana ficam tão pouco, que mal dá para matar a saudades deles.
Muitas vezes ficamos até dez ou mais dias sem vê-los.
Por conta dessa maldita falta de tempo, nunca nesses três anos de vida de Mateus eu como avó, tive o prazer de dar um banho nele. Não sei o que é senti-lo em meus braços bem pertinho do meu coração para fazer com ele adormeça, eles entram, comem, coversamos um pouco e pronto tá na hora de ir embora. E tudo isso por conta dessa maldita falta de tempo como já disse e vou repetir n's vezes. Quando os meninos para cá vêem, estão sempre cansados, querem voltar logo para suas casas. Afinal eles só tem o fim de semana para poder cuidar de tudo e claro que eu me coloco no lugar deles e entendo perfeitamente.
Muitas vezes penso que a mim não foi dada essa alegria tão grande que é ser avó.Bahahhh, estou muito triste mesmo ...
Hoje estou triste, muito triste mesmo, e super repetitiva. Não consigo conter minhas lágrimas e peço desculpas a quem estiver lendo. Amanheci assim no dia de hoje, com uma tristeza muito grande invadindo meu coração.
Sinto falta da casa cheia. Olho por todos os lados dessa casa e não encontro nada, apenas eu e meu marido.
Não sei o que seria de mim sem ele e dele sem mim. Depois de todo o ciclo completado, estamos aqui, nós dois. Rimos bastante um com o outro, nos preocupamos com nossa qualidade de vida, cuidando um do outro. Agora, eu, depois de muito relutar estou caminhando com ele. Levantamos as cinco horas da manhã, vestimos nossas roupas de caminhada, e partimos pelas ruas de nosso bairro.
Primeiro rezamos juntos os mistérios do dia do terço. Depois conversamos de tudo um pouco. Ele me deixa chorar um pouquinho, depois me faz dar gargalhadas pelas calçadas e avenidas aqui do nosso bairro. Parecemos dois maluquinhos no final da madrugada e no despertar do sol. Chegamos em casa tomamos banho, um bom e reforçado café e ele parte para mais uma jornada de trabalho. Eu fico aqui nessa imensa casa, venho para computador, vejo os e-mail, pesquiso o que vou postar no dia para os dois blogs, faço algumas visitinhas nos blogs amigos, agradeço os novos visitantes e vou cuidar da casa e do almoço. Ah... o almoço. Hoje em dia tá parecendo que eu brinco de fazer comidinha, como quando era criança. Tudo foi reduzido, tudo o que cozinho tem que ser pouquinho, ou até faço a mais para meu marido poder levar para algum dos meninos de onde ele trabalha, que muitas vezes não tem o que comer. Depois tenho minhas aulas de pintura, costuro, invento mil coisas para fazer para preencher o tempo que muitas vezes acabo pedindo para dia ter pelo menos mais 24 horas, engraçado né???...fico sem tempo de tanto que quero preencher meu tempo, coisa doida.
Mas é isso pessoas que eu amo, hoje eu estou bem pra baixo. Não sei porque. Acho que é essa tal de síndrome do ninho vazio. Tá sendo bem complicado me livrar desse sentimento tão ruim. É mesmo um vazio, um enorme vazio que se sente. É uma sensação de impotência, misturada com tristeza, com uma pitada de felicidade que ao mesmo tempo que doí, como se estivesse entrando um punhal no seu peito. É felicidade também doí também te faz sentir essa grande tristeza. É difícil até de se fazer entender.
Mas tudo bem, já passa. Afinal tem um ser maravilhoso que está ao meu lado chamado Deus, que nunca me deixa só. Tem o saber que apesar dos filhos não terem tempo nos amam e muito. E isso me basta. Afinal eu tenho agora todo tempo desse mundo para esperar, ou ficar esperando a vinda deles.
Pronto sabe que me fez bem desabafar aqui minha tristeza.
Obrigada por ter a paciência de me ler no dia de hoje. Afinal considero a todos meus grandes amigos. E que melhor forma de se melhorar se não quando podemos contar com o ombro dos amigos  para nos derramarmos em lamurias.

Li aqui e deixo para quem estiver passando pelo mesmo sentimento que eu::..

Não há uma fórmula matemática para vivenciar essa etapa indispensável de forma prazerosa. Mas, para ajudar, o pediatra separou 5 dicas:
- Mantenha-se íntegra, inteira, buscando sua realização pessoal no trabalho, na sociedade, na vida familiar;
- Crie uma boa estrutura familiar que permita que esse filho vá, mas também permita que ele se sinta acolhido e encontre espaço sempre que quiser ou precisar voltar;
- Busque trabalho, atividades físicas prazerosas, veja amigos (que, possivelmente, na mesma faixa etária, devem estar passando pelas mesmas situações), (re)aqueça a chama do casamento;
- Tenha sempre ética, verdade e respeito nos relacionamentos;
- Não se esqueça do ditado “Carpe diem” - que significa nada mais do que gozar o dia, viver o presente, aproveitar a jornada!

Ai meu Deus eu tô correndo atrás!!!

Recebi por e-mail o texto abaixo. E quase me matei de tanto chorar. queria que o tempo voltasse um 50 anos, para que nós pudéssemos ser avós assim como muito bem descreveu Raquel de Queiroz, seria bom, seria tão bom...
Beijos e beijos!
Rosane!
 

 A ARTE DE SER AVÓ

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.
E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais.

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais.

A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avô, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.
Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone.

Riscar a parece com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?

Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.


Texto de Raquel de Queiroz


Bom dia e prometo que não vou chorar mais!
Rosane!

5 comentários:

  1. Rô,te entendo perfeitamente! Essa correria tá tirandoo tempo legal das coisas simples e tão necessárias. Auinda bem que tens teu marido ao lado!beijos,fica bem,chica

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  2. Rô,

    Acho que chorar faz parte desse momento que vc está passando, perfeitamente compreensível. Mas não esqueça que, para existir uma família e filhos, antes foi preciso existir um casal. Aproveite esse momento e dedique-se ao seu marido, curtam bem esse momento de volta ao namoro, façam uma viagem, curtam essa fase. Para tudo na vida tem um momento. E, se hoje o dia está difícil, amanhã vai ser melhor. Ontem meu dia também não foi fácil, precisei resolver umas coisas que me incomodam, mas, com paciencia tudo foi se resolvendo e ao final do dia tudo melhorou e hoje é outro dia! Uma dica que já dei antes e torno a dar: pratique yoga! Tenho certeza que vc vai gostar. Mais uma dica, de coração: busque uma terapia com florais, é uma coisa maravilhosa, vai te ajudar muito nesse momento, pode acreditar! Qualquer coisa, se quiser saber mais, me manda e-mail! Beijos mil, com carinho!

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  3. Gostei muito de seu texto,achei bonita a sinceridade com que o escreveu.A gente vai passando pouco a pouco por cada uma dessas fases,algumas trazem um pouco de tristeza,mas como você mesmo disse,está com Deus,e com certeza Ele está contigo.Saudade não tem jeito,quando bate nos deixa mais sensível mesmo.Mas lembre-se neste momento das pessoas que lhe amam,e que logo estarão por perto de novo.Talvez não possam ficar por muito tempo,porém o que importa é que esses momentos sejam especiais e inesquecíveis quando compartilhados...
    Um grande abraço pra você. :)

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  4. Oi Rô,
    Vim trazer um pouco de minha alegria para vc...
    a "Síndrome da casa vazia" qdo pega de jeito faz todo mundo chorar mesmo!
    Aqui em casa depois que a Mamãe se foi, está um marasmo... Até o meu filho reclama!
    Mas sabe? Até eu sinto falta de um bando de crianças aqui em casa! Que dirá vc!!!
    Qdo bater uma saudades dessa, encha a casa de músicas alegres... Que a suadade passa!!!

    Bjos de Luz para vc!!!

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  5. Isso tudo me fez lembrar da minha amada vovózinha Odette! Quanra saudade meu amor!!!

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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