sexta-feira, 7 de novembro de 2008

BLOGAGEM COLETIVA - HOJE É DIA DE CECÍLIA...!




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Cecília Meireles nasceu no Rio de janeiro em 1901 e faleceu na mesma cidade no ano de 1964. Diplomou-se como professora pela Escola Normal (Instituto de Educação-RJ) em 1917. Além de se dedicar ao magistério primário, colaborou nos principais jornais cariocas e deu cursos de Literatura brasileira nos Estados Unidos e no México. Premiada duas vezes pela Academia Brasileira de Letras, soma-se também à sua biografia o título de doutora honoris causa, da Universidade de Delhi (Índia).


OBRAS: Poesia: Espectros (1919); Nunca mais... e Poema dos poemas (1923); Baladas para El-rei (1925); Viagem (1939); Vaga música (1942); Mar absoluto (1945); Retrato natural (1949);Amor em Leonoreta (1951); Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952); Romanceiro da Inconfidência (1953); Pequeno oratório de Santa Clara (1955); Pistóia, cemitério militar brasileiro (1955); Canções (1956); Romance de Santa Cecília (1957); Metal rosicler (1960); Poemas escritos na Índia (1961); Solombra (1963); Ou isto ou aquilo (1965); Crônica trovada (1965). As duas últimas obras foram publicadas postumamente. Publicou também crônicas, textos para teatro, prosa poética e ficção.






Giroflê-Giroflá


Tempo do Giroflê A vida vai sendo levada para longe, como um livro, que tristes querubins contemplam, resignados. (...) Ah, mas as pálidas imagens ainda resistem: saem dos seus primitivos lugares, aparecem onde não as esperávamos, desdobram-se de outras figuras que nos apresentam, acordam as primeiras experiências, as indeléveis curiosidades do nosso amanhecer no mundo. (...) A bondade está ali - detrás daquela porta que se abre em silêncio, na sala onde a mesa está sempre posta - Inutilmente o relógio marca o dia e a noite, pois a vida é sem fim. Ninguém estremece. Ninguém pensa nas horas muito a sério. Todos se sucedem, todos se lembram uns dos outros. Todos estão ali à espera dos que chegam.(...)


Giroflê, Giroflá foi publicado, em edição limitada, em 56 e reeditado em 1981. O livro, composto por crônicas, em prosa poética, reúne as impressões de Meireles recolhidas em suas viagens pela Índia e Itália. De volta ao Brasil, depois de passar por Porto Rico e Israel, em 58, Cecília Meireles acompanha a publicação da sua OBRA POÉTICA, que consistiu no reconhecimento do mercado editorial do seu valor e talento literário e artístico. Até 64, a poeta lançaria, ainda, METAL ROSICLER e SOLOMBRA, em 60 e 63.


Cecília Meireles morre no Rio, em 9 de novembro de 1964. Em plena atividade literária, deixando incompleto um poema épico-lírico, escrito em comemoração ao quarto centenário do Rio de Janeiro, sua cidade Natal. Além deste poema, deixa inúmeros textos inéditos. No ano seguinte à sua morte, a Academia Brasileira de Letras concede-lhe o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Amada pelo público - até hoje, Cecília Meireles é a poeta mais lida do Brasil, sendo ultrapassada apenas por Vinícius de Morais e Carlos Drummond de Andrade -, Cecília Meireles permanece um desafio para a crítica nacional. Ela partiu do pós-simbolismo e do lirismo português. À margem do modernismo, construiu uma obra de dicção muito pessoal, que a faz admirada não apenas pelo público, mas também por colegas, como Drummond, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. E alcançou uma meta:


"acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação - mas por uma contemplação poética afetuosa e participante."


O crítico e ensaísta Davi Arrigucci Jr. afirma que ela era uma poeta altamente técnica, uma grande artista do verso, que deixou expressa em sua obra a tensão entre o sentimento do fugidio e rigor que ela própria se impunha para expressar esse sentimento. Arrigucci prossegue: "extremamente musical, com metáforas fortemente sensoriais e sua insistência no uso da primeira pessoa, Cecília Meireles parece ter cantado sempre o mesmo tema:"a busca do eterno no transitório, do transcendente no contingente, do milênio no minuto".





Definição: Concha, mas de orelha; Água, mas de lágrima; Ar com sentimento. - Brisa, viração. Da asa de uma abelha. Manuel Bandeira, sobre Cecília Meireles e sua poesia.

Retrato


"Eu não tinha esse rosto de hoje,assim calmo, assim triste, assim magro,nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo eu não tinha estas mãos sem força,tão paradas e frias e mortas eu não tinha este coração que nem se mostra eu não dei por esta mudança tão simples, tão certa, tão fácilem que espelho ficou perdida minha face?"



Fonte e Imagens::-http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/ceciliameireles/ceciliareconhecimento.htm





Compras de Natal

Cecília Meireles

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis.
Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.
Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.
Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 80.







Rosane!

13 comentários:

  1. Voinha,
    a senhora tbm arrasou, viu?!!
    E não sabia que tu gostavas tanto de Cecília também, olha que delícia!!! heheheheheheheehhe...

    Escrever sobre Cecília é tentar entender a alma e o coração dela. Uma mulher estremamente apaixonante, não é?! Que delícia de post, vovó!!!

    Parabéns, viu?!!

    Te amooo!!!!!

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  2. *****

    Hoje não farei nada mais que navegar pelos lindos mares e deleitar-me com as homenagens prestadas à querida poetisa!
    Parabéns pelo lindo post! Um esplendor de escolhas que tanto exprimem a obra de Cecília Meireles!
    Grande abraço.

    *****

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  3. Essa blogagem tá muito especial. Bjks

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  4. Legal que também tenha participado desta blogagem coletiva...
    O seu blog ganhou mais uma visitante... rs...
    Bjôooooo

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  5. Rô, certamente que falar de Cecília em poucas linhas é tarefa difícil. Mas, na verdade, você deixou apenas que seu coração te guiasse ao escrever sobre a poetisa!

    Pelo visto, fomos buscar inspiração para nosso post na mesma fonte! rsrs

    Adorei sua presença lá em casa!

    Beijos!

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  6. Visitando os blogs participantes da blogagem cheguei aqui no seu cantinho e devo dizer que adorei seu post. Belo poema escolhido minha amiga!
    A blogosfera hoje está perfumada! Parabéns.
    Serena.

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  7. Nossa!!! Caprichou aqui, heim mãezinha?
    Ficou excelente e completo o post, parabéns!

    Beijão, bom final de semana!

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  8. Amada de Deus, belo post! Que lindo trazer-nos Cecília dessa forma!A sua inspiração é suprema e delicia com suas palavras! Que bom que conhece a Liturgia! E que delícia devem ser os retiros inacianos! Que o nosso Amado e a Mãezinha continuem a lhe abençoar e ao seu caminho de amor para eles! Rac manda bjkas pra vovó e agradece. Mil bjos em seu coração, minha querida!

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  9. RÔ,
    Ficou linda sua postagem!!!PARABÉNS!!! Vc caprichou, achei demais!!!
    Beijos

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  10. *****

    Um mimo para esta noite:

    O AMOR

    É difícil para os indecisos.
    É assustador para os medrosos.
    Avassalador para os apaixonados!
    Mas, os vencedores no amor
    são os fortes.
    Os que sabem o que querem
    e querem o que têm!
    Sonhar um sonho a dois,
    e nunca desistir da busca de ser feliz,
    é para poucos!!!

    © Cecília Meireles

    Tenha uma linda noite! Doces sonhos!
    Beijos

    Helô

    *****

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  11. Oi Ro!!! Sim, estou de volta a ativa :)

    E que belíssima participação a sua para essa coletiva tão linda !

    É isso ai ! Vamos eternizar ainda mais Cecília... aqui, alí e na blogosfera !

    beijos
    Lys

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  12. ô que coisa fofaa seu blog!
    acho a minha cara o peoma RETRATO....não sei explicar.
    mas ó também adorei os banners religiosos!sempre levo comigo aquela frase:tudo posso naquele que me fortalece!Deus nunca nos abandona!!

    bjinhos,e um final de semana maravilhoso!

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  13. Querida Rosane,

    Ainda estou me recuperando dos meus problemas com a minha saúde mas não resisti e estou visitando calmamente todos os blogs.
    O seu blog é um perigo, não devia passar agora por aqui ... rsrsrsr
    Com uma música linda dessa, quem deseja sair desse lugar ???
    Sua postagem reflete o carinho e o cuidado que você teve para homenagear nossa amada Cecília.
    Como fico feliz com a sua participação . Como estou feliz com esse grupo encantador que já atingiu o número de 170 blogs e está unido nessa grande festa para recordar e reviver Cecília e sua obra.
    OBRIGADA! OBIGADA! OBRIGADA!
    Mil beijinhos!
    Com carinho,

    Leonor Cordeiro

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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