quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Uma pequena mas grandiosa mulher



Essa é a história de uma pequena mas grandiosa mulher.

Não se sabe ao certo, mas provavelmente ela tenha sido gerada no navio que trouxe seus pais e já com alguns irmãos, vindos da Itália para o Brasil. Nasceu aqui em terras brasileiras, por volta do ano de l907 em meados do mês de Março, precisamente no dia 10. Seu pai era espanhol e sua mãe italiana. Mas como ela contava seu pai conheceu a mama na Itália, e naquela época, casamento arranjado por seus bisavós, casaram-se e tiveram logo alguns filhos e partiram para o Brasil, para fazer a vida como ela dizia. Ao chegarem aqui foram logo do Porto de Santos para uma cidade do interior de São Paulo chamada Araraquara, daí encaminhados para uma fazenda provavelmente de café chamada Santa Lúcia, nasce aí então Dona Regina. Menina linda de cabelos pretos grafite, pequena de estatura, mas pelas fotos e pessoas da família tornou-se uma mulher lindíssima. Casou-se ainda muito nova, costume da época, com um lindo rapaz também filho de imigrante espanhóis. Nesta história uma curiosidade, casaram-se duas irmãs com dois irmãos e formaram uma família não muito grande como a de seus pais, pois pelo lado da pequena Dona Regina ela era a quarta dos dezoito filhos de seus pais, e pelo lado do Sr.Miguel assim chamava-se seu esposo ele era o terceiro dos 12 filhos de seus pais também. A família de Dona Regina compunha-se de três filhos, Hilário o varão, Enilde a do meio e Leonice a caçula. Mulher de fibra, Dona Regina e seu amado esposo, vieram para Campinas SP, pois ele havia entrado para trabalhar, saindo do campo, na Cia.Paulista Ferroviária de SP, antiga Paulista, assim era chamada na época. Tinha um cargo invejável, era maquinista de Primeira. Fazendo carreira comprou casa, hipotecada pela Caixa Económica, estava fazendo o pé de meia, os filhos cresciam, com saúde e vigor, Dona Regina dona de casa exemplar, de tudo um pouco sabia fazer, mesmo sem saber ler e escrever, bordava divinamente a máquina, bordava enxovais com letras góticas, desenhadas por esposo e depois copiadas por ela. Certo dia, despedindo-se dela para o trabalho, foi-se embora para sempre o Sr.Miguel. Os mistérios do Senhor quis que ele a deixasse. Um acidente fatal o levou. Uma máquina fazendo manobra no pátio o pegou e o matou.

Dona Regina ficou só, com dívidas da casa, a caçula com 8 anos, a da meio com l7 e mais velho com 18 anos.

Bom como D.Regina não era mulher de se abater, mulher forte de sangue quente, luto passado,

arregaçou as mangas e partiu para a luta com a vida, e que luta. Dividas, hipoteca, filhos adolescentes...sem perder tempo tratou logo de arrumar emprego para a do meio na própria empresa que o marido trabalhava, o mais velho já estava trabalhando. Ela fez de um tudo, para acabar de criar esta família. Costurou, bordou, catou estrume de cavalo na rua para vender como adubo para os jardins das famílias abastadas, que eram suas freguesas, tanto de costura como de roupas que lavava para fora, criou galinhas, depois vendias limpas para consumo, ou seja, como diz o ditado DEU MURRO EM PONTA DE FACA, mas conseguiu, pagou todas as dívidas e educou seus filhos, com honra e dignidade. Mas infelizmente tanto sacrifício por eles e só por eles seus filhos, não foi feliz, mas não cabe a mim julgar esta parte.

A pequena mas grandiosa mulher viveu até os 95 anos, depois de seus filhos casados e já com seus filhos também a maioria criados por ela também, pois todos trabalhavam e precisavam de sua colaboração, ela ficou só, morava sozinha em um apartamento do centro da cidade. Vivia muito bem, digo financeiramente, pois mesmo não sabendo ler e escrever, daria aula de Economia para muito mestrado na área de hoje em dia. Poupou, centavo por centavo, durante toda uma vida, e teve uma morte digna e serena, em um belíssima casa de Repouso, chamada Divina Providência, casa essa comandada por Freiras da Divina Providência, entidade Católica, pois sua religião era essa com muito orgulho, dizia ela, devota de Maria resava o terço as 6 hrs.da tarde diariamente. Mulher orgulhosa e altiva, nem para morrer precisou da ajuda financeira dos filhos e nem de homem nenhum, pois MORREU COM A FOTO DO SR.MIGUEL AO SEU LADO na mesa de cabeceira, olhando para o homem que amou a vida toda e com certeza esta com ele na eternidade.

Esta é Dona Regina a pequena mas grandiosa mulher. Brava, sangue quente, uma guerreira, uma mama, uma professora da vida, uma mulher que é símbolo da vida, uma dádiva de Deus.

Esta é Dona Regina uma pequena mas grandiosa mulher, MINHA QUERIDA E MUITO AMADA VOVÓ. Tudo que sei e que sou devo a ela, me criou, me educou e o que é melhor muito me amou.

Saudades vovó Regina, saudades muita saudades.......

Um comentário:

  1. Querida Rô!! Será um belissimo livro. A vida antigamente era muito mais difícil, principalmente para as mulheres.

    Beijinhos e fica com Deus

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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