sábado, 6 de agosto de 2011

"EXPERIMENTAR DEUS"


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Reflexão sobre o evangelho de domingo::..



07/08/2011

19º Domingo do Tempo Comum
1ª Leitura: 1Rs 19,9ª.11-13ª
Sl 84
2ª Leitura: Rm 9,1-5
Evangelho: Mt 14, 22-33

A fé nos momentos difíceis

EXPERIMENTAR DEUS

Bela e admirável a aventura daqueles e daquelas que buscam a Deus. Não existe projeto mais audacioso e mais belo do que este de tentar ouvir a Palavra daquele que fala sem ter lábios, que escuta sem ter ouvidos, que abraça sem ter braços. Não se trata apenas do encontro com noções a respeito de Deus nem com caricaturas que costumam ser feitas dele. Trata-se de experimentar Deus na vida. O teólogo Karl Ranner afirmava, em meados do século passado, que o cristão dos tempos novos ou seria místico ou não seria nada. Ou faria uma experiência de Deus ou não seria cristão.

As Escrituras gostam de mostrar as manifestações de Deus no alto de uma montanha e no silêncio das grutas. Aliás, todos os místicos seguiram a mesma trilha. Temos hoje o texto do livro do Reis em que Elias faz uma particular experiência de Deus. O profeta anda desalentado e desanimado. A palavra de Deus lhe é dirigida durante a noite. "Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar". Será preciso esperar essa "passagem" do Senhor. Três elementos da natureza simbolizam "espaços" onde o Senhor não está. Primeiro trata-se de um vento impetuoso que destruía tudo. Ali não estava o Senhor. Vem depois uma movimentação violenta da terra, um terremoto, mas também ali não estava o Senhor. Não estava também no fogo. Elias vai experimentar a presença do Senhor num leve murmúrio de brisa, na suavidade das coisas sem estardalhaço, no murmúrio do silêncio. " E depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu pôs-se à entrada da gruta". Interiormente o profeta tem a certeza da presença do Senhor. E adora o Altíssimo. No silêncio e na suavidade o Senhor se manifestou como se nos manifesta quando caminhamos em sua presença no tecido cotidiano de nossa existência, quando o nosso coração bate ao compasso do coração de Deus.

A experiência nos atesta que tocamos uma proximidade de Deus no templo, quando nos retiramos do bulício e deixamos nos revestir de silêncio. Muitos dias e tardes de oração silenciosa são ocasiões privilegiadas para preparar o coração em vista de uma eventual aproximação de Deus. Há aqueles que fazem a experiência do Senhor saboreando os salmos em comunidade ou em particular. Outros afirmam que fazem a experiência do Senhor frequentando o rosto dos mais abandonados. Francisco de Assis, o grande amante das grutas e do silêncio, faz questão de assinalar que deixou o mundo das vaidades e da mentira quando encontrou o leproso e cuidou dele com todo carinho.

Mateus descreve uma acidentada travessia do mar em meio a gigantescas turbulências. "A barca, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário". Experiência de medo, de insegurança.... Há um momento em que Jesus se aproxima andando sobre as águas. Sofrendo os abalos do mar agitado pensavam os discípulos que Jesus fosse um fantasma... Passam a experimentar medo. Pedro não tem coragem de caminhar sobre as águas. Todo um quadro que mostra a fragilidade dos apóstolos. Hoje acontecem na Igreja outras tempestades: fragilidade dos cristãos, uma Igreja que tem dificuldade em evangelizar a cultura do provisório, do individualismo, da descartabilidade, do aqui e agora. Nem sempre a Igreja se dá conta que Jesus está caminhando sobre as águas. Fragilidade da fé e, ao mesmo tempo, experiência de Deus. "Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus".

Assim, se experimenta a proximidade e o amor de Deus.


Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm



Reflexão perfeita, principalmente àqueles que como eu passam por difíceis provas da vida!

Ramalhete EspiritualBeijos meus cheios de,
luz, paz, amor, fé e esperança!
Rosane!



3 comentários:

  1. Quem dera todos os seres humanos,refletissem e ponderassem sobre isto:

    Hoje acontecem na Igreja outras tempestades: fragilidade dos cristãos, uma Igreja que tem dificuldade em evangelizar a cultura do provisório, do individualismo, da descartabilidade, do aqui e agora. Nem sempre a Igreja se dá conta que Jesus está caminhando sobre as águas. Fragilidade da fé e, ao mesmo tempo, experiência de Deus.


    Obrigada pela oportunidade de fazer esta reflexão.
    Bjsssssss,
    Leninha

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  2. Vim da Lucinha onde ela postou sobre esse evangelho. Chego aqui e leio essa maravilhosa reflexão que vc postou e ainda ricamente completada pela nossa querida Leninha; na missa, uma surpresa: o seminarista, hoje padre e morando em Roma, faz uma homilia sobre o andar sobre as águas e depois me abraça dizendo sonoramente meu nome após muitos anos sem nos ver. Tudo concorre para o bem para a minha alegria. Por isso, Rosane eu lhe desejo que você tenha um lindo domingo e uma bela semana!Bjbjbj!

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  3. Rô,

    Um evangelho tão rico, que podemos refletir de várias formas. Muito linda essa reflexão.

    Eu não conhecia esse seu blog. Quanta coisa edificante por aqui.

    Tenha uma linda semana.
    Beijos

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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