quinta-feira, 29 de maio de 2008

Reflexões - A MOITA E A DÚVIDA - Célula-tronco -


Peço que leiam com atenção e façam seu julgamento, não se esquecendo que a vida é livre arbítrio de cada um, portanto , cada um tem sua opinião formada. Tendo já lido tanto sobre o assunto, o meu julgamento é incondicionalmente contra, não só por ser Cristã católica,mas por ser pessoa humana, e não quero que nehuma dúvida paire em meu julgamento. Há muito ainda para ser estudado e pesquesido. E sempre fica uma pergunta em minha cabeça - O que pode haver atrás de tudo isso???...


A MOITA E A DÚVIDA
Pe. Francisco Fauss

Como nos contos, vamos começar dizendo: “Era uma vez...”, ou, se preferir, “Once upon a time...”.
Sim, era uma vez um grupo de atiradores esportivos, que, durante anos, faziam todos os domingos exercícios de tiro na clareira de um descampado, escolhido, no meio da mata, por razões de segurança, bem longe de qualquer estrada, lavoura, caminho ou local habitado. Os alvos eram colocados junto de um renque de espessas moitas, situadas no fundo do campo de tiro.
Certo dia – como nos contos –, um dos atiradores alertou:
– Escutem! Pareceu-me ouvir, perto das moitas, algumas vozes de crianças.
Pararam os atiradores, e ficaram de ouvido atento. Um deles adiantou-se até os alvos, afastou um pouco algumas moitas e voltou dizendo que não vira nem ouvira nada.
Recomeçando os exercícios, outro dos esportistas avisou:
– Eu ouvi, ouvi mesmo. São vozinhas fracas, parecem de crianças... Não serão garotos em excursão, ou, quem sabe, um grupo de escoteiros, de “lobinhos”, fazendo sua incursão na floresta?... Eu tenho um filho “lobinho”...
Novamente parou tudo, houve exploração atrás das moitas da borda do campo sem nada constatar, e tudo recomeçou até que, pela terceira vez, o primeiro atirador de ouvido fino insistiu em que voltara a ouvir as vozes, afirmando que já não tinha dúvida.
Cansados de tanto ir e vir, os companheiros irritaram-se com o apreensivo e concluíram, fartos de alarmes, que alguns colegas padeciam de alucinações ou precisavam de ir ao otorrino. Com isso, o exercício de tiro prosseguiu, até que... Até que se ouviu um grito agudo, agônico, acompanhado de outros clamores e choros desesperados. Não havia mais dúvida. Quando foram ver, penetrando um pouco mais no matagal (coisa que antes não haviam feito), puderam ver no chão um garoto atingido no peito por bala, que veio a falecer instantes depois.
Como tudo isso é “conto”, imaginemos que os atiradores, acusados de homicídio culposo, fossem levados a julgamento, e lá alegassem que não tinham culpa, porque achavam que não havia ninguém por perto, e, por isso, o acidente fora uma fatalidade.
No interrogatório, porém, o promotor foi incisivo:
– Mas, será possível que, após três avisos dados por colegas, não admitissem nem sequer a suspeita, pelo menos a suspeita? Que não tivessem “nenhuma dúvida” de que eventualmente pudesse lá haver crianças? Podem afirmar honestamente que tinham “ certeza absoluta”, inconteste, sendo que vidas humanas podiam estar em jogo?
Os réus acabaram reconhecendo que pairava certamente alguma dúvida, apenas dúvida, mas que acharam que não era razão suficiente para deixarem de atirar...
Imaginemos – não esqueça que estamos contando um “conto” – que o juiz, ou o Tribunal, com base nisso, absolvesse os acusados, e declarasse ser lícito que continuassem a praticar os exercícios de tiro, mesmo quando houvesse uma suspeita “leve” de risco de vida para seres humanos. Não acha que seria muito natural que, quer os bons juristas, quer os que tivessem noções básicas de ética ou, pelo menos, um sentido de humanidade; ou, em geral, todos os cidadãos sensatos (pais e mães de família) se revoltassem contra tal decisão judicial, qualificando-a, com razão, de gravemente injusta, pois nada justifica – nem lei ou sentença alguma pode amparar – um ato de que possa decorrer, de modo não imprevisível, a morte de um inocente.
Pois bem, sobre o pano de fundo do conto, ouçamos agora a voz de um jurista muito conhecido e respeitado. Fala acerca do debate das células-tronco embrionárias e diz:
«No caso concreto, o problema básico é saber se um embrião é ou não um ser [humano] vivo. Se houvesse consenso da unanimidade, ou pelo menos da unanimidade moral dos cientistas, sobre a matéria, pela afirmativa ou pela negativa, a decisão seria clara e imperiosa. Se é certo que há vida no embrião, ela não pode ser violada sem ferir o Direito Natural e sem lesar nossa Carta Magna. Se está correto que não há, nada impede que se utilizem os embriões, tanto mais que serão usados para preservar outras vidas humanas. Ora, esse é justamente o ponto em que os cientistas não estão de acordo. Há os que entendem de uma forma; outros de
outra, contrária. Os cientistas estão francamente divididos a respeito. Não havendo consenso na Ciência, pelo menos no seu atual estágio de desenvolvimento, prevalece a certeza de que pode haver vida. E, sendo a vida um direito fundamental do ser humano, prevalece, a meu ver, a idéia de que, podendo haver vida, a legislação deve protegê-la».
Assim escreveu, no seu blog, o Prof. Damásio de Jesus, Diretor-Geral da FDDJ, Presidente e Professor do Complexo Jurídico Damásio de Jesus.
Fica patente, nessa exposição, que o problema que é apresentado ante os que devem julgar é uma questão jurídica, que só pode(e deve) basear-se em certezas “científicas” (independentemente de que haja também razões de outra ordem, à margem de raciocínios científicos e jurídicos, extremamente ponderáveis). Ora, é evidente que, hoje, não há as tais certezas jurídicas, baseadas em sólidas e decisivas conclusões científicas. Subsiste a “duvida”. Como não está cientificamente definido o que há atrás dessa “moita” dos embriões, não se podem pôr em risco possíveis vidas humanas.
Será, por isso, lícito, jurídica e eticamente, autorizar que se “atire”, havendo uma dúvida maior que a dos atiradores do conto?
Em sã consciência, e em sã lógica, parece que não. Muito embora todos saibamos que, infelizmente, o mundo é como é; e que é mais fácil e menos comprometido, para que tem que arcar com uma decisão dessa repercussão na opinião pública, proteger-se atrás da moita do politicamente correto e do clamor mais forte da mídia.
A moita dos atiradores do conto punha em risco as crianças. Essa outra moita, pelo contrário, protege os que têm o poder decisório do perigo de ser mal vistos pelas câmeras de tv e as colunas da imprensa.
fonte: http://padrefaus.googlepages.com

Publicado no Portal da Família em 06/05/2008



Hoje tem Carne louca diferente, no Receitinhas e dicas da vovó Rô!

Muito bom para o lanche da tarde...

4 comentários:

  1. Excelente post! Muito verdadeiro, tudo a ver com o momento em que estamos vivendo.
    Grande abraço!

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  2. Post polêmico este, eu posso dizer que sou a favor de que a ciência evolua, e que muitas vidas sejam salvas por conta desse tipo de pesquisa...eu preferia fazer algo por uma criança de meses ou anos, ja dentro de uma familia, do que tentar manter os embriõezinhos em segurança...mas sei la, é um caso a ser analisado mesmo!
    Beijos linda!
    Liz

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  3. Há uma corrente que diz que esses embriões a serem utilizados, já estariam descartados de sobrevida. Haverá muita discussão pela frente. Infelizmente temos mães que abandonam filhos nascidos e outras que nem levam a gravidez à termo. Penso que política e religião não deveriam interferir na evolução da ciência. Seria muito mais ético caminharem juntas. Muita coisa seria elucidade e nós seriamos os beneficiados. Quem tem filho deficiente, deve orar para que seja aceito ou então, entregar nas mãos de Deus.
    Rô, procurei seu e-mail para lhe mandar o código do slide. Diga também o tamanho que quer.
    Quanto a blogagem, está agendada para o dia 05. Dá tempo!! (rs*)
    Beijus

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  4. Oi Rô!

    Realmente, muito interessante e oportuno o seu post! Adorei!

    Concordo com a Luma quando afirma que política, ciência e religião deveriam caminhar juntas, todos nós só teríamos a ganhar com isso.

    Essa questão é mesmo muito polêmica e deve mesmo ser dabatida, pois precisamos saber mais para poder formar nossas opiniões. Conhecer todos os lados. Ainda não tenho a minha completamente formada. Sou a favor da vida. Sempre. Também acho que a ciência deve evoluir, para o bem da humanidade. Mas também acho que nem tudo é lícito. Há que se ter o mínimo de bom-senso.

    Mais uma vez, concordando com o que a Luma falou, vamos entregar nas mãos de Deus!... :)

    Beijos!

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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