terça-feira, 29 de abril de 2008

A Ópera de Pequim


Dias atrás postei as Curiosidades da China, nesta matéria vimos coisas dessa Cultura Milenar , que pessoalmente me chocaram muito. Pensando nisso resolvi procurar mais, e fiquei maravilhada com as coisas que encontrei, algumas delas já tinha conhecimento, mas muito pouco, apenas de alguns comentários na TV, revistas de consultório, nada com profundidade. As artes da China são belíssimas, em todo seu seguimento.
Então farei aqui para meu conhecimento e de todos que se interessão, uma coletânia com um pouco de tudo a respeito dessa maravilhosa Potência, por vezes tão cruel, não por culpa de seu povo tão maravilhoso, mas por culpa de seus governantes, como sempre é o povo que paga o alto preço de homens tão maquiavélico.

Primeiro peço desculpas pois, para mim é impossível fazer postagens pequenas, para dizer de tão bela Nação como a China.

Comecemos então::-



A GRANDE ÓPERA DA CHINA


AS MIL FACES DA ÓPERA DE PEQUIM


Quando um ator ou atriz da Ópera de Pequim se maquia, o faz com uma fruição similar à do pintor que descarrega sua inspiração em pinceladas sobre a tela em branco. A obra final fará que este rosto fique inconfundível entre as centenas de papéis que se interpretam nessa manifestação cênica.
Papéis femininos

A maquiagem para o dan, o papel feminino, na Ópera de Pequim dá às atrizes um rosto ovalado, com queixo pontiagudo, sobrancelhas arqueadas, olhos amendoados e boca rosada, no que constitui o ideal da beleza feminina na China. Seja redondo por natureza ou anguloso, o rosto da atriz pode se converter em um oval quase perfeito com a ajuda de um aplique postiço (bianzi), que se põe na frente e nas têmporas. A estes enfeites se agregam o ruge e o pó branco no rosto, o batom e pintura preta para os olhos. Entre os papéis de civis e os militares há diferenças sutis: as sobrancelhas das mulheres generais e soldados vão inclinadas para cima, circundando os olhos exageradamente grandes, acentuando a marcialidade de suas poses.
Quanto aos trajes da Ópera de Pequim, estes são confeccionados seguindo os padrões de vestuário da dinastia Ming (1368-1644) e se destacam pelo seu colorido e estilo. Exemplo disso são as Shuixiu (mangas de água) largos pedaços de seda branca que vem amarrados aos punhos da roupa, que servem para aumentar a elegância nas evoluções de dança. Todos os trajes são finamente manufaturados com o objetivo de manter o encanto estético, enquanto que as diferenças entre as posições sociais se determinam pela diversidade no esplendor dos trajes, sobretudo os
toucados e ornamentos para o cabelo. Inclusive o papel de uma mendiga requer múltiplos adornos para o cabelo; uma filha de família rica, muitos mais.
Papéis masculinos
Quando os chineses querem descrever um homem ofendido, costumam dizer que "bufa entre as barbas com o cenho franzido". Tal menção responde diretamente à expressão facial que adotam os atores da Ópera de Pequim, que colocam um rankou (barba artificial) feita de crina de cavalo e presa às orelhas. Quando se sacode o rankou se manifesta alegria e se canta: "Sou tão velho que meu cabelo é tão branco quanto a geada", sustenta a barba sobre as palmas das mãos, em gesto de triste resignação. Existem mais de dez técnicas de atuação relacionadas à barba, a saber, rankou gong, cada uma acompanhada de uma coreografia primorosa.
Há Rankou em várias cores: preto, cinza, branco, vermelho, azul e púrpura, em mais de 20 formas que indicam diferentes status sociais e caráteres. Sun Quan, rei de Wu (um dos Três Reinos 220-265), usa uma barba purpúrea, pois, segundo a história, "tem olhos azuis e barba purpúrea". Os de barba vermelha são enérgicos e heróicos, enquanto que as azuis ficam reservadas para demônios e monstros. O Rankou é parte integral do clássico da Ópera de Pequim "O Passo Wenzhao". O personagem central, Wu Zixu, é o único sobrevivente da família de Wu She, primeiro-ministro do antigo Estado Chu, que foi assassinado com todos os seus familiares por ter criticado o comportamento incestuoso do rei. Wu Zixu jura vingar a morte de sua família e viaja ao Estado vizinho com a intenção de dirigir suas tropas. Ao chegar à fronteira vê seu retrato em uma oferta de recompensa por sua captura. Nesta mesma noite, Wu se refugia na casa de um estudioso local chamado Donggao. Não obstante, sente-se tão aflito pela idéia de não poder cruzar o Passo Wenzhao que no dia seguinte desperta com cabelo e as barbas grisalhos. O professor Donggao envia um amigo seu que se parece com Wu Zixu ao ponto de controle e, aproveitando o distúrbio que causa a detenção do imitador, o verdadeiro Wu, agora encan
ecido, foge sem ser reconhecido.
A maquiagem dos papéis masculinos ressalta suas respectivas características. O rosto de Guan Yu, um herói do Período dos Três Reinos, é "vermelho como a tâmara, com sobrancelhas em forma de bicho-da-seda alongado, olhos sossegados e barba longa". Como Guan Yu era considerado encarnação das virtudes confucianas de benevolência e justiça, a cor vermelha na Ópera de Pequim se identifica com os personagens íntegros. Com o tempo, também os eunucos se caracterizaram com essa cor, mas neste caso ela denota a busca de saúde à custa da cruel opressão. As sobrancelhas, os olhos e a boca pintados nestes personagens se diferenciam dos que exaltam virtudes no personagem de Guan Yu. Outro personagem, Xue Gang, que descende de um herói, mas teve condutas grosseiras que causam a execução de sua família, fica exposto em sua natureza mediante um círculo branco ao redor de seus lábios.
A maquiagem masculina indica também atributos e habilidades. A fronte de Dou Erdun, afamado pelo uso hábil dos ganchos duplos, tem pintada sua arma sobre as sobrancelhas. Na face de Zhao Kuangyin, que finalmente fundou a dinastia Song e foi seu primeiro imperador, aparece um pequeno dragão que prognostica sua glória futura. Algumas maquiagens masculinas são feitas com caracteres chineses. Exemplo disso é Yang Yansi, sétimo filho de Yan
g Jiye e herói destacado por seus conhecimentos de artes militares. Sua face se parece com um tigre estilizado, e na fronte leva o caracter chinês hu (tigre). Xiang Yu, o herói que derrubou a tirânica dinastia Qin e que morreu jovem, leva em ambos os lados da face caracteres shou (longevidade), o que significa que seu heroísmo o fez imortal.
A maquiagem para o conhecido personagem de Zhong Kui adquire a forma de morcego, símbolo de felicidade, pois sua pronunciação chinesa é sinônimo deste significado. Há várias versões da história de Zhong Kui, a mais popular das quais conta como ocupou o primeiro lugar no exame imperial de nível superior, conseguiu que perdesse as mãos do imperador devido à sua feiúra física. Desesperado, Zhong Kui se suicidou batendo a cabeça contra uma coluna. O imortal Imperador de Jade se compadeceu de sua alma e lhe outorgou o cargo de dissipador de demônios. Por isso, apesar de ser o mais feio dos deuses chineses, Zhong Kui goza do favor dos seguidores da Ópera de Pequim. O vermelho café em suas bochechas simboliza a dignidade, as linhas pretas e brancas em seu rosto testemunham sua execução estrita da lei, e a expressão de sorriso reflete seu bom humor nato.
A Ópera de Pequim quer que seu público identifique à primeira vista cada personagem que sai de cena.








5 comentários:

  1. Rô, é um facto que a China tem uma história e cultura muito interesssante e rica, porém o regime comunista fez questão de o desprezar e até apagar, até há bem pouco tempo. Quando os países são governados por ignorantes-arrogantes cometem-se as maiores barbaridades...
    Uma boa semana, para vc, Rô.
    Bjos

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  2. A China é um lugar imenso, chio de cultura e historias, eu adoro ler sobre tudo isso!
    Também falei um pouco sobre a china no meu ultimo post, venha ver!
    Nao deixe também de ir ver as fotos no outro blog!
    Beijos.

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  3. Rô, não peça desculpas pelo tamanho das postagens, elas estão ótimas!

    Desculpe minha ausência ultimamente, tá? Além de muito trabalho andei doentinha, como vc já sabe, mas agora tá tudo bem, graças a Deus!
    Que você tenha uma ótima semana, querida do meu coração!

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  4. Rô, o texto está um primor e as imagens muito bem escolhidas. Eu me interesso muito pelo assunto até porque estou engajada em um movimento que apoia a luta pelos direitos humanos no Tibet.
    Queria indicar um livro "7 anos no Tibet" escrito por um aventureiro e considerado o melhor alpinista do século XX. À ele foi nomeado o direito de ser tutor do atual Dalai Lama, quando esse ainda era criança. O livro se encerra quando ambos foram expulsos da china e a Índia os abrigou. Existe a versão em filme mas bem medíocre, não aconselho!
    Boa semana! Beijus

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  5. Oi Rô!
    Não sabia que os chineses apreciavam ópera e desconhecia todo esse ritual para tomar parte dela.
    Muito interessante o post.
    Abraços

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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