quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Tempo - Laurindo Rabelo


O tempo Deus pede estrita conta de meu tempo.

É forçoso do tempo já dar conta;

Mas, como dar sem tempo tanta conta,



Eu que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo

Dado me foi bem tempo e não foi conta.



Não quis sobrando tempo fazer conta,

Quero hoje fazer conta e falta tempo.

Oh! vós que tendes tempo sem ter conta



Não gasteis esse tempo em passatempo:

Cuidai enquanto é tempo em fazer conta.



Laurindo Rabelo

Biografia:

Laurindo Rabelo (L. José da Silva R.), médico, professor e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 8 de Julho de 1826, e faleceu na mesma cidade, em 28 de Setembro de 1864. É o patrono da Cadeira n. 26, por escolha do fundador Guimarães Passos.
Era filho do oficial de milícias Ricardo José da Silva Rabelo e de Luísa Maria da Conceição, ambos mestiços e gente humilde do povo carioca. Cresceu nas maiores privações, das quais só veio a se libertar nos últimos anos de sua vida. Pretendendo seguir a carreira eclesiástica, cursou as aulas do Seminário São José e recebeu as ordens, mas abandonou o seminário por intrigas de colegas. Fez estudos na Escola Militar, outra vez tentando em vão fazer carreira. Ingressou no curso de Medicina no Rio, concluindo-o na Bahia, em 1856, vindo porém defender tese na cidade natal. Em 1857, ingressou como oficial-médico no Corpo de Saúde do Exército, servindo no Rio Grande do Sul, até 1863. Neste ano voltou ao Rio, como professor de história, geografia e português no curso preparatório à Escola Militar. Em 1860, casara-se com D. Adelaide Luiza Cordeiro, e só a partir de então pôde livrar-se da pobreza que lhe marcou a existência. Atacado por uma afecção cardíaca, faleceu, aos 38 anos de idade.
Caracterizou-o, desde os anos de estudante, a maneira espontânea e desengonçada de viver. Por sua compleição física bizarra, a imaginação popular deu-lhe o apelido de "o poeta lagartixa". Viveu na boêmia, e aquele ambiente o estimulava literáriamente. Como poeta satírico, era justamente temido e respeitado; teve amigos e, também, inimigos acérrimos, por causa dessa feição do seu talento, chegando a ser perseguido. Como repentista e improvisador, era popular e bem recebido em todos os salões. Fechavam os olhos à sua indumentária desleixada, só para ouvir o poeta e ver as cintilações daquele espírito. Em muitas das suas composições vibra também a nota de melancolia. Foi cognominado "o Bocage brasileiro". Pertencia ao período romântico

2 comentários:

  1. Belo resgate!! O nosso Bocage ao contrário do original português viveu pouco tempo, infelizmente!! Teria nos deixado muito mais!
    Teremos blogagem coletiva dia 14/02. Participe!! Beijus

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  2. Obrigado Laurindo Rabelo e os irmãos do Centro Espítita Tupyara.Deus existe e estaremos sempre unidos em prol do bem

    ResponderExcluir

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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