segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bolagagem coletiva - "ABRE ASPAS TERCEIRA EDIÇÃO" -

abre aspas terceira edição

Esse poema faz parte da Blogagem coletiva "ABRE ASPAS TERCEIRA EDIÇÃO", do blog da Lunna
"TEORIAS IMPOSSÍVEIS". Parabéns Lunna e espero que já esteja bem melhor da virose que te acometeu.



IMAGEM AQUI



UMA PAIXÃO PRA SANTINHA

Jessier Quirino
(prosa morena)

Xanduca de Mané Gago
Tinha querença mais eu
Me vestia de abraço
Bucanhava os beiço meu
Era aquele tirinete
Parecia dois colchete
Eu in nela e ela in nêu.

No apolegar das tetas
Nos chamego penerado
Nas misturação das perna
Nos cafuné do molengado
Nos beijo mastigadinho
Nos açoite de carinho
Nós era bem escolado.

Era aquele tudo um pouco
Era aquela amoridade
Mas faltava na verdade
Sensação de friviôco
Um querer, uma pujança
Daquela que dá sustança
Na homencia do cabôco.

No dia que`u vi Santinha
Sobrinha do sacristão
O bangalô do meu peito
Se enfeitou feito um pavão
Foi quando esqueci Xanduca
Sem mágoa sem discussão
Pois vimos que nós só tinha
Uma paixãozinha mixa
Uma jogada de ficha
Uma piola de paixão.

Santinha é a indivídua
Que misturou meu pensar
Que me deixou friviando
Sem nem sequer me olhar

Matutinha aprincesada
Mulher de voz aflautada
Olhosa de se olhar
Fulô de beleza fina
É a tipa da menina
Que se deseja encontrar.

Mas Santinha é quase santa
Nem percebe o meu amor
Não tem na boca um pecado
Tem o beicinho encarnado
Pintado a lápis de cor
Só tem olhos pra bondade
Mas não faz a caridade
De enxergar um pecador.

Ah! se eu fosse um monsenhor
Um padre, um frei, um vigário
Eu achucalhava os sino
De riba do campanário
Eu abria o novenário
Eu enfeitava um andor
Botava ela impezinha
Feito uma santa rainha
Padroeira dos amor.

Arranjava um pedestal
Um altar um relicário
Chamava todas carola
Chamava todo igrejário
E dizia em toda altura
Com voz de missionário:

Oh! minha santa Santinha!
Tire este manto celeste
Saia deste relicário
Olhe pra mim e garanta
Que vai deixar de ser santa
Que`u deixo de ser vigário!


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Um pouco sobre Jessier Quirino
Luciano Sá


Arquiteto por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção.
Assim se autodefine o poeta, escritor e declamador paraibano Jessier Quirino, que lançou o livro/CD “Bandeira Nordestina”, dentro do programa Literato, no Centro Cultural Banco do Nordeste, na noite do último dia 25, em Fortaleza.
“Antes do poeta, nasceu o declamador”, rememora o início da profissão artística. E desembesta a falar sobre o seu gosto pela deformação das palavras e o processo de criação:
“o poeta mato-grossense Manoel de Barros e o escritor mineiro Guimarães Rosa, ambos mestres na desconstrução das palavras, são autores que me são muito caros;
sabe, aquelas expressões que normalmente as pessoas consideram erradas, para mim são acidentes poéticos onde posso desenvolver idéias.
Por exemplo, hoje mesmo alguém falou
‘canal de som para violino’,
mas eu entendi
‘carne de sol para violino’;
na mesma hora anotei a idéia,
e já estou pensando em construir um poema a partir dessa expressão aparentemente errada.
É assim que eu trabalho, por isso dou muito trabalho à mulher que revisa os textos dos meus livros”.

Festa no seu trabalho é o encontro com matutos nas andanças pelo interior, dizendo poesia.
Deles recebe os elogios mais sinceros e efusivos, que embora emitidos à temperatura da pureza d’alma, mais pareceriam palavras desrespeitosas no idioma da cidade grande.
“Uns chegam, abraçam e batem forte nas costas, e dizem ‘poeta, tu é um arrombado!’,
outros dizem
‘poeta, tu é um fila-da-puta!’;
teve um que disse
‘tu vale uma ruma de poeta; se te desmanchar, faz três poeta porreta, a pedaceira que sobrar, faz mais catorze poeta safado! (sic)”.

Sal na sua poesia é o tempero do humor, que, no seu estilo de cozer arte popular, é o que acende a reflexão e dá liga à educação.

A uma pitada de humor, Jessier Quirino mistura uma porção de crítica social, que pode aguçar a consciência política do leitor.
“Um texto engraçado pode conquistar a atenção de um aluno adolescente;
aí é que a professora entra e ensina ‘olha, essa palavra inventada aqui se chama neologismo, essa comparação aqui é uma metáfora, e por aí vai”, exemplifica.

Ao responder uma pergunta sobre a presença de termos pornográficos na poesia matuta, ele é categórico:
“o único palavrão que nunca ninguém deveria pronunciar é FOME!”.

Agora declamando poemas, Jessier Quirino, além de revelar sua espirituosidade hilariante, gestualidade de ator e memória extraordinária, desfere um olhar preciso, detalhista, tal a nitidez com que descreve os itens à venda numa bodega sertaneja
(“uma rodilha de fumo dando o bote/e um trinchete enfiado no sabão/e o bodegueiro despacha ao artesão/um parafuso de cabo de serrote”)
ou o panorama de uma cidade do interior
(“um fole de oito baixo/pitomba boa no cacho/um canário cantador/caminhão de eleitor/com os voto tudo vendido/isso é cagado e cuspido/paisagem de interior”).

No antológico “Vou-me embora pro passado”, título pasargadamente parafraseado ao poeta pernambucano Manuel Bandeira, o artista se refugia no túnel de um tempo onde viver mais tranqüilo:
“vou-me embora pro passado/pra não viver sufocado/pra não morrer poluído/pra não morar enjaulado/lá não se vê violência/nem droga, nem tanto mal/não se vê tanto barulho/no passado é outro astral”.

Já no final, Jessier Quirino arrebata gargalhadas da platéia ao contar o causo
“O matuto no cinema”, a história de um roceiro “analfabeto de pai, mãe e parteira” que narra, numa roda de amigos
(estes, também sem instrução primária),
o enredo de crime e castigo de um filme de Arnold Schwarzenegger (naturalmente, em Inglês, e legendado).
Tradução fiel dos diálogos ásperos e ameaçadores naquela língua estranha: “Num-sei-que-lá, num-sei-que-lá, num-sei-que-lá!”.

FONTE AQUI


Boa e maravilhosa semana pra você!
Cheia de paz, luz e amor!
Rosane!



10 comentários:

  1. Bah, que pena, estou tão desligada dos blogs que acabei perdendo esta blogagem tão legal! E adorei esta poesia principalmente porque não conhecia o autor, adoro descobrir autores novos!!!

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  2. Tô dizendo... esqueci de te encher de beijos, abração de urso e dizer que te amo muito, mesmo estando longe nunca esqueço do teu carinho, NUNCA!!!

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  3. Ro!
    É uma delicia participar desses momentos. Como aprendemos.
    Cada um escolhe os seus favoritos versos e poemas.

    Vi sua inscrição e vim para conferirr...
    Já estamos no blog uma interação de amigos com a participação na blogagem Coletiva de Abra Aspas.
    http://sandrarandrade7.blogspot.com/
    Te espero lá para comemorar este momento do amor!!!
    Ele está no ar, no coração e na Vida.

    Que todos tenham hoje um momento cheio de amor e paz.
    E viva esta momento poético.
    Sandra

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  4. Voinha que postagem maravilhosa!!! \o/\o/\o/\o/
    Parabéns!!!
    O que eu mais gosto nessas blogagens é o aprendizado... eu não conhecia esse poeta, e adorei a poesia que foi tecida aqui!!! Que linda, voinha!!
    Parabéns, amei de verdade!!!
    Muitos beijinhos e abraços pra senhora!!
    Te amoooo

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  5. O que eu mais gosto nessa blogagem é a possibilidade das descobertas. Os horizontes se descortinam diante de mim...
    Não conhecia a poesia e tão pouco o poeta... Grazie por tua tão singular participação. Bjs

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  6. oi querida!! tem selinho e meme pra vc!!!

    http://rochacouto.blogspot.com/2009/11/selos-e-memes.html

    beijo!
    Pat

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  7. Poesia é sempre poesia. Vou ler com mais calma depois. Por hora gostei muito.
    Com carinho Monica

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  8. Olá VóVózinha, como tem passado, tenho um blog novo está no Cantinho das Orações, é do Sagrado Coração se quiser e gostar traga o selo para aqui.
    Beijinhos
    Boa Semana para você.
    Manuela

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  9. Vou ficar te esperando minha linda.
    Sandra

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  10. Mais uma descoberta interessante, esse poeta eu não conhecia. Essa blogagem acabou sendo um grande descortinar de poesias. Grande abraço e parabéns pela excelente participação.

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"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras".

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